A SIDA TEM UM ROSTO por Clara Castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

No passado dia 1 de Novembro, assinalou-se o Dia Mundial de Luta contra a Sida porque o primeiro caso de Sida foi diagnosticado neste dia de 1981. O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou que entramos na quarta década da AIDS, e afirmou que o  progresso feito até hoje permite pensar que se poderá atingir o objectivo de zero novas infecções, discriminação zero e zero mortes relacionadas à AIDS, em que as sinergias entre prevenção e tratamento estão acelerando o processo.

 

No evento 46664, em Novembro de 2003, no estádio de Green Point, na África do Sul, com o número de prisioneiro de Nelson Mandela, este disse: “Durante 18 anos fui só um número. Hoje, milhões de pessoas infectadas com AIDS são só um número. Elas também cumprem uma sentença de prisão – para toda a vida”.

 

Na revista Science de Julho de 2010 foi dada notícia de um novo produto que permite às mulheres tomar conta da sua saúde, quando os seus parceiros se recusam a usar preservativo – um gel vaginal que revelou, num estudo sul-africano, uma eficácia que permite a esperança, dado que a protecção com a sua utilização foi de 54%. Todas as alternativas têm que ser estudadas, para que se possa apostar na prevenção.

 

Acompanho uma mãe que é portadora de HIV. Já a apanhei numa fase de “aceitação” da doença, depois da revolta de ter sido infectado por um ex-companheiro. O que não impede de, muitas vezes, juntar esta revolta a muitas outras – a de ter tido um cancro, a de estar desempregada, a das mutas dívidas que contraiu – e de se deprimir, chorando. Umas vezes consigo pô-la a rir e ela diz “Só a drª para me pôr a rir!”,  e outras só consigo pegar-lhe nas mãos , ficando as duas em silêncio, contendo eu própria as lágrimas. Juntas tentamos encontrar pontas de auxílio a procurar, pontas de possíveis mudanças e de novos percursos, pontas de esperança…

  

Pergunto-me até quando ela vai aguentar, pergunto-me quais as consequências nos seus dois filhos, um dos quais conheço e que a sufoca com medo de a ver morrer.

Ela é para mim o rosto dessa doença, mas tantos outros há…

 

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