Nós partiremos aqui de duas constatações e a França servir-nos-á aqui como exemplo de um qualquer país europeu
Primeira constatação: nómadas e sedentários em França em 2008
(em percentagem de empregos)
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Em 2008, 28% dos empregos em França podem qualificar-se “de nómadas”, no sentido em que estão sujeitos a uma concorrência doravante global, empregos estes que perdem a sua competitividade, desaparecem num território para aparecerem noutro lugar, e 72% dos empregos podem qualificar-se “sedentários”, ou seja, que estão eventualmente em forte concorrência entre si, mas que, se a procura puramente nacional que se lhes dirige continua a estar constante, estes não têm então nenhuma razão para desaparecerem.
No segundo conjunto de empregos, na economia sedentária, estão contidos principalmente os serviços públicos e privados destinados às pessoas, a construção e as obras públicas, ainda que este sector possa estar aberto à concorrência internacional e já assim está em numerosos países.
No sector de empregos nómadas, encontramos a agricultura e a indústria e temos aqui agregados à indústria os serviços à indústria e uma parte dos serviços deslocalizáveis de que a maior parte são serviços de elevado valor acrescentado: finança, publicidade e concepção-desenho, etc.
Notemos que estas estatísticas são ainda muito imperfeitas, e estamos longe de uma contabilidade que permita avaliar precisamente os empregos nómadas e sedentários assim como os seus valores acrescentados respectivos.
Segunda constatação: a elevada tecnologia e as marcas, representam 12% da indústria
(de acordo com um estudo de McKinsey Global Institute)
La décroissance de l’emploi depuis 2001
O decrescimento do emprego depois de 2001 é essencialmente devido ao crescimento dos sectores em equilíbrio instável e fortemente expostos
(McKinsey)
O decrescimento do emprego desde 2001 deve-se principalmente à diminuição do crescimento dos sectores em equilíbrio instável e fortemente expostos.
Em França encontramos na indústria em 2008:
1. 8% dos empregos, na indústria e nos serviços “de inovação” chamados também “de elevadas tecnologias”;
2. 4% dos empregos na indústria e nos serviços que assentam sobre a poder “de marcas” de denominação nacional e que valorizam um capital humano e natural do qual uma parte está solidamente ligada aos territórios mas uma parte, os criadores de moda por exemplo, podem mudar de territórios;
3. E, por fim, uma massa ainda muito importante de indústrias intermédias: 9% dos empregos nos sectores “fortemente expostos”, 32% nos sectores “em equilíbrio instável”, e 47% nos sectores “continentais”: química, cimento, indústria da madeira e agro-alimentares, cujos produtos viajam para menos longe e, por conseguinte, estão menos sujeitos à concorrência longínqua. Entre estes sectores, estão ainda algumas indústrias em que pelo menos uma parte poderia ser ainda classificada de instável, como a química.
São os sectores “fortemente expostos” e “instáveis” que perderam empregos desde 2001: -4,2% e -1,2% por ano respectivamente.
DESTES DADOS PODEM-SE TIRAR AS SEGUINTES OBSERVAÇÕES:
Primeira observação: o território é ainda tanto mais rico e mais igualitário quanto a parte relativa da economia nómada é importante.
Segunda observação: a elevada tecnologia e as marcas, representam 12% da indústria (de acordo com um estudo de McKinsey Global Institute).
Publiquei há dois anos, numa obra destinada a um grande público (La Mondialisation. Emergences et Fragmentations, Editions Sciences Humaines), um pequeno modelo muito simples em que se mostra que, com base nas relações de troca que existem entre nómadas e sedentários, o PIB de um país depende essencialmente do número relativo de nómadas e da atracção relativa para os consumidores do território dos bens e serviços produzidos pelos sedentários.
Resulta daí que o crescimento só pode ser provocado pelo crescimento do número e da riqueza dos nómadas e/ou da melhoria da produtividade e da qualidade do sector sedentário. Nunca se sublinhará assim suficientemente a importância de estimular a produtividade e a qualidade do sector dos serviços sedentários. Quando às desigualdades entre nómadas e sedentários estas dependem dos dois mesmos factores: parte relativa dos nómadas na população activa e atracção relativa dos bens e serviços sedentários.
Aparece por conseguinte crucial, se queremos perceber e controlar bem os efeitos que são gerados pela globalização sobre as desigualdades ou pelos menos de os manter, e como tem regularmente diminuído nestes últimos anos, de restabelecer, uma proporção mais elevada de empregos nómadas sobre os nossos territórios na Europa.
Segunda observação: É praticamente evidente que não poderemos atingir o objectivo de aumento do número de nómadas, apoiando-nos unicamente sobre os sectores de inovação e de marcas.
Representam 12% do emprego das nossas indústrias e serviços nómadas e não poderão substituir os mais de 50% que são ameaçados (dado que uma parte das indústrias “continentais”, tais como a química, o está também – ver o exemplo recente da refinação). Isto suporia um esforço de formação e conversão gigantesco em poucos anos.
(Continua)


