Agir, é preciso! – por Mário de Oliveira

(Editorial 41 do jornal Fraternizar)

 

Agir, é preciso!

Não apenas lamuriar-se, fazer greves, indignar-se, manifestar-se como quem vai numa excursão de recreio. Porque, como é bem de ver, a manifestação-excursão, neste caso e nestes nossos dias, vai acabar no Abismo!

O que se está a passar em Portugal, na Grécia e na Itália, com peritos em Economia e Finanças ao leme dos respectivos Governos, todos eles, confrangedoramente, analfabetos em Política Praticada, é bem uma eloquente amostra do que se está também a passar, ainda não tão às escâncaras, em todo o Planeta Terra. Desde que há Animais Racionais, o Planeta Terra sempre tem estado dominado e governado pelo planeta Poder, criado pelos próprios Animais Racionais. Mas, só neste início da segunda década do Século XXI, o planeta Poder é exclusivamente o planeta Poder Financeiro. Totalmente à solta.

 

Já nem sequer o Poder Político e o Poder Religioso-Eclesiástico têm quaisquer, voz e vez. Ainda existem, aí, os dois, mas cabe-lhes apenas assumir o papel de zelosos e dedicados Executivos do Poder Financeiro, junto das Populações e dos Povos das nações, cada qual na sua linguagem. Abandonaram, de vez, o papel que sempre haviam tido, anteriormente, de certo “travão” aos devoradores apetites do Poder Financeiro. E, hoje – como mostra bem o Orçamento de Estado 2012, em Portugal – estão, aí, os dois, cinicamente, ufanos, no papel de seus credenciados Executivos, junto das Populações e dos Povos das nações. Nunca, antes, tal coisa se viu, no Planeta Terra!

 

Por via disso, o Planeta Terra geme de dores e de violência, por todos os seus poros. Sim, por todos os seus poros. Porque, ao contrário do que, perversamente, sempre nos têm querido convencer os agentes ao serviço do planeta Poder, o Planeta Terra não é uma coisa ou um objecto inerte, insensível, como um cadáver. Não! O Planeta Terra é o maior Organismo vivo que conhecemos, tecido de relações maieuticamente solidárias e complementares, conduzidas pelo Sopro de Vida, todo Fecundidade, todo Afecto, todo Ternura, todo Relação Cordial que, quanto mais o conhecem, os Cientistas, mais estupefactos se sentem. Sem palavras. Puro Êxtase. Pura Contemplação. Todo o Planeta Terra dança no Universo. É a Dança sem parar. À volta de si próprio e à volta do Sol, cuja Energia se encontra em todos os seres vivos, quer os dos mares e dos rios, quer os do resto da Natureza, com destaque para as árvores, as plantas, os animais e nós próprios. Somos, pois, companheiros das Estrelas, estrelas com as estrelas.

 

Desde que Acontecemos, no decurso da Evolução – só um organismo vivo é capaz de evolução – cabe-nos o imperativo ético de Cuidarmos da Terra, entenda-se, o Planeta Terra, no seu todo. Cuidar, não Dominar, como, grosseiramente, assim entendeu o planeta Poder, nomeadamente, o Poder Religioso-Eclesiástico. Ora, se, hoje, já nem sequer ouvimos os gemidos de Dor do Planeta Terra, nem vemos todos os Estragos /Crimes que o planeta Poder está, reiteradamente, a cometer contra ele, então toda a nossa Racionalidade é Perversão. E deixamos de ser Planeta Terra Consciente, por isso, Ético, com direitos e deveres, e tornamo-nos inteiramente planeta Poder. Ou na demencialmente cobiçada condição de minorias dos Privilégios, ou na humilhante condição de maiorias vítimas das minorias dos Privilégios. E o pior, vítimas acomodadas, anestesiadas, sem vontade de, alguma vez, sairmos dessa humilhante condição. Pelo contrário, até, agradecidas às minorias dos Privilégios, por cada pequenina migalha que, de vez em quando, elas deixam cair das suas lautas mesas, migalhas envenenadas que têm o perverso condão de anestesiarem, cada vez mais, as maiorias que as aceitam e comem.

 

O planeta Poder não sabe nada de Ética. Não sabe nada de Cuidar. Só o Planeta Terra traz a Ética na sua Matriz original. O Planeta Terra é Ética Viva. Quando, finalmente, se faz Planeta Consciente, nos seres humanos, a Ética deve tornar-se Ética Consciente. Sem necessidade, sequer, de Leis impostas de fora para dentro. A Consciência é a Ética. E a Ética é a Consciência. Porém, os seres humanos, hoje, mais Animais Racionais, do que Seres Humanos, Extasiados perante o Planeta Terra que em nós, finalmente, se vê a si próprio e se sente vivo, em lugar de crescerem, de dentro para fora, como Dança, como Sopro de Vida, como Liberdade, como Ética-com-Afectos, deixam-se tomar pelo Medo. E correm a buscar Segurança, quando lhes cabe ser Liberdade, Vento, Sopro, numa palavra, Política Praticada.

 

No Planeta Terra, a segurança encontra-se no Movimento, na Dança, no Vento, na Liberdade, na Política Praticada. Mas é precisamente deste tipo de segurança, que os Animais Racionais têm Medo, em cada nova geração que vem ao Mundo. E, com Medo, correm logo a criar deusas e deuses, a religar-se uns com os outros no Medo e no Poder – são as Religiões! – em vez de se religarem, maieuticamente, na Liberdade, na Sororidade /Fraternidade, na Fragilidade Recíproca, numa palavra, na Política praticada. Nasce, assim, e reforça-se, em cada nova geração, mas totalmente à revelia da Evolução da Vida, o planeta Poder. No princípio, com os Sacerdotes e as religiões. E hoje, com outra espécie de Sacerdotes laicos, os chamados peritos em Economia e Finanças, todos confrangedoramente analfabetos em Política Praticada, por isso, totalmente desprovidos de Ética.

 

Ou mudamos de rumo, ou perecemos. Porque o planeta Poder, para cúmulo, hoje, já só Poder Financeiro, totalmente à solta, só sabe Matar, Roubar e Destruir o Planeta Terra. Antes de mais, o Planeta Terra Consciência – as Populações e os Povos. Até que, finalmente, ele próprio Implode. Será que ainda vamos a tempo de mudar de rumo? Só se as Populações e os Povos decidirem derrubar o planeta Poder e se assumirem, finalmente, Planeta Terra Consciência, por isso, todo Ética, todo Sororidade /Fraternidade, todo Política Praticada, nenhum Poder! Saibamos que cada segundo de hesitação, por parte das Populações e dos Povos, pode ser-nos fatal. Agir, é preciso. Não apenas lamuriar-se, fazer greves, indignar-se, manifestar-se como quem integra uma excursão de recreio. Porque, como é bem de ver, a manifestação-excursão, neste caso e nestes nossos dias, vai acabar no Abismo!

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