Diário de bordo de 8 de Dezembro de 2011

 

Já aqui chamámos a atenção para o perigo que, sobretudo desde a constituição do I Reich por Bismarck, os alemães representam para a Europa e para o mundo. E não é um apelo xenófobo que estamos a fazer – é um apelo contra a xenofobia germânico-prussiana. Como dissemos, não acreditamos que a História se repita; o que acontece é que o espírito prussiano se mantém vivo. A ideia de Hitler e do seu bando de esquizofrénicos de que os alemães são um «povo superior» encontrou no rigor ou na rigidez mental inata nos prussianos, terreno fértil para se implantar – rigor se falamos de Goethe ou de Nietzsche, rigidez se aludimos a Goebbels ou a Merkel…

 

 

 

 

 

 

Ontem publicámos um cartaz que se exibe numa rua de Berlim, aludindo aos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) e à necessidade de os parar para salvar os nossos (deles) bancos. O acrónimo foi criado pelos nossos mais velhos «amigos», os «bifes», e na altura era mais regular – PIGS – o único I representava a Itália. Posteriormente, o I foi dobrado pela inclusão da Irlanda. A imprensa britânica usa mesmo, por extensão, a expressão «economias porcinas» para designar o desempenho das economias dos cinco países. Não sabemos que acrónimo arranjarão os arrogantes ilhéus quando a Grã-Bretanha se juntar ao clube. Há três anos atrás, empresários dos países atingidos e o ministro português Manuel Pinho, protestaram quando o Financial Times usou a figura de estilo, depois de outros a terem usado como o The Economist ou a Newsweek. Agora são os «boches» a pegar na estúpida expressão. No tal cartaz berlinense que mostramos acima noutro ângulo, madame Merkel e herr Sarkozy manipulam os títeres que em baixo formam um porco (a nós, coube-nos a cabeça – vá lá!).

 

A França sempre que se mete com a Alemanha leva para tabaco. Só um corso pequeno como Sarkozy, mas com uma grandeza que este bailarino de pacotilha nunca terá, meteu na ordem a Prússia. Esta aliança, o eixo Berlim-Paris, configura um projecto antigo e recorrente. Bismarck fundou o I Reich no Palácio de Versalhes para humilhar os patriotas franceses, sobretudo os communards. E, falando de fantoches, Hitler criou a França de Vichy, a que deu o nome de État Français. Entre 1940 e 1944, os nazis manipularam o fantoche e traidor Pétain. De Gaulle, acarinhou o conceito de um eixo Paris-Berlim que contivesse a prosápia dos ingleses, testas de ponte na Europa de uns Estados Unidos que emergiam do caos da guerra como superpotência. E talvez tenha começado aí esta tragédia grega e não só.

 

Já o dissemos – a História nunca se repete. Porém, há países, há estadistas que repetem «erros históricos». A Europa está cheia dessa gente que, ou por ignorância, por falta da tal memória histórica, ou porque defende interesses que nada têm a ver com os dos seus povos, está à beira do abismo e pronta para dar um salto em frente.

 

  

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