(1942 – )
Um Café na Internet
1.
bater à porta e virmos nós abrir
atravessar os corredores do tempo
redescobrir a casa onde vivemos
em outra incarnação há quantos séculos
o sol na pedra a árvore no pátio
sem folhas no inverno o muro gasto
a pausa do meu ombro no teu hálito
antes da consciência do silêncio
voltar então a mim não há memória
além das coisas onde nos perdemos
não as escutamos já ─ quem as procura?
que força nos investe a transitória
imagem que negamos de nós mesmos
que vida permanece e continua?
In Mediações, Contexto/De Poesia, 1983.
Teresa Balté, para além de poetisa, é professora universitária e tradutora. Também tem trabalhos de crítica musical e no campo da literatura infantil. Apresentamos-lhe os nossos mais respeitosos cumprimentos.


