DIÁRIO DE BORDO, 17 de Dezembro de 2011


 

 

Argos, a nossa nave, atravessa mares agitados, sob céus nebulosos. Afluem grandes agitações e incertezas. Discute-se por todo o lado. O futuro é incerto.

 

O problema do euro invade todas as conversas, de uma maneira ou outra. Está omnipresente. Discute-se, por vezes com alguma vivacidade, se devemos sair ou não do euro. O economista João Ferreira do Amaral é um dos que defendem a saída do euro (Ver edição portuguesa do Monde Diplomatique deste mês). Acha que é demasiado forte para que as economias menos competitivas da Europa possam acompanhar e ultrapassar o ritmo de crescimento das outras. Contudo refere ser necessário, para que a saída não seja um desastre, que a zona euro estabilize e que haja um apoio comunitário a essa saída. A questão que se põe é se é verosímil que essas condições alguma vez se verifiquem, e se a hipótese não é muito, muito teórica, demasiado para alguma vez ser posta no terreno.

 

Entretanto o Eurointelligence de ontem (sai em A Viagem dos Argonautas hoje às 13 horas)  cita o Financial Times Deutschland, que noticia que os 26 países da UE e zona euro estão a procurar um novo acordo, menos vinculativo do que seria o novo tratado previsto na Cimeira, porque temem uma queixa da Inglaterra no Tribunal Europeu de Justiça, por causa  da utilização de mecanismos da UE por um subgrupo de países. Deste modo, neste novo acordo não caberiam as sanções automáticas propugnadas pela chanceler Merkel contra os infractores das limitações à dívida. Manter-se-iam os limites ao défice a incluir em Constituição ou lei constitucional nacional, na medida em que pertencem aos sistemas legislativos nacionais.

 

Discute-se por todo o lado, é certo. As conclusões são muito incertas. Erradas vezes demais.

1 Comment

Leave a Reply to Augusta ClaraCancel reply