Horus Pereira apresenta-nos em 624 caracteres o seu blogoconto – Quando a noite chega:
Chego-me à noite e escrevo. Enrolo-me no manto do seu corpo e com palavras vou abrindo sulcos na viagem do meu tempo.
Encanto-me de mim.
Glorifico a dor, os desejos, o prazer e a fantasia! Glorifico a alma dos sentidos que domina a face oculta do meu ser! Arranco de mim os disfarces da existência!
Oh, formas pagãs, formas profanas, formas que sobrevivem às dores da soledade, desvendem-me os mistérios desta aventura onde vai desfalecendo a memória dos anos! Oh, ventos de vertigem onde me encontro eu, em que ponto de mim?!
Vai fria a noite, húmida e solitária. De mansinho aporto o barco do meu corpo ao cais do seu regaço e repousando os braços da remada aí planto a palvra e dela recolho o meu alento.
