Ciência e poesia – Adão Cruz

 

 

Adão Cruz  Ciência e poesia

 

 

 

(Adão Cruz)

 

 

Encontrava-me num café de Paris na Place de Contrescarpe onde Edith Piaf un petit oiseau iniciara a sua carreira como cantora de rua.

 

Eu sonhava…

 

Nessa altura não era proibido sonhar.

 

Pelo contrário era obrigatório sonhar.

 

À medida que a luz da manhã crescia insubstancial e fria eu descia a Rue Mouffetard.

 

À minha direita descia Tchaikovsky e à minha esquerda subia Van Gogh.

 

Madrugavam ambos as suas inquietas e inflamadas personalidades nessa horizontal e fresca manhã do século dezanove.

 

Bonjour Monsieur Van Gogh.

 

Bonjour Monsieur Pyotr Ilitch.

 

Bom dia rapaziada.

 

Une merde une merde cochicharam os dois.

 

Sorridente e feliz segui o meu caminho para a Salpétrière.

 

Estávamos nos primórdios da ecocardiografia e debatia-se a soberania da famosa vertente E – F da válvula mitral.

 

A melodia e a cor entraram em mim pelas mãos da ciência.

 

Para lá do frio academismo ciência e poesia confundem-se.

 

A chama da poesia acende os dedos da paixão onde mora o brilho da inspiração na conquista da harmonia do saber a caminho do horizonte.

 

A ciência enriquece a poesia.

 

Ciência sem poesia é violino sem alma mas disso nada entendiam nem Van Gogh nem Tchaikovsky.

 

Na entrada do anfiteatro um busto holográfico de Hipócrates falava-nos mansamente.

 

A mim piscou-me o olho e disse-me por entre dentes mon fils la vie de la science c’est le chemin pour la rencontre de nous mêmes.

 

Canção sobre a ciência, montagem com frases de 12 cientistas: Michael Shermer,
Jacob Bronowski, Carl Sagan, Neil deGrasse Tyson, Richard Dawkins, Jill Tarter,
Lawrence Krauss, Richard Feynman, Brian Greene, Stephen Hawking, Carolyn Porco e
PZ Myers.

2 Comments

  1. Nunca é tarde para dizer, soberbo! Soberbas palavras do nosso Adão e escolha da nossa Augusta C. E, espero que não seja tarde para aquele abraço da saudade que me deixam quando por razões de peso não vos visito. Beijos!

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