Fui ver a Exposição “A perspectiva das coisas. A natureza-morta na Europa”, que está patente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, até 8 de Janeiro. Não são o tipo de quadros que mais prefiro. Atentei sobretudo no quadro de René Magritte (1898-1967), o pintor surrealista de nacionalidade belga.
Quadro a óleo sobre tela, disse-me depois a pesquisa, foi pintado em Bruxelas, em 1935. Ora, estará ele bem incluído na mostra? Mas quem sou eu para fazer tais comentários… O facto é que se intitula «O retrato».
Fiquei um bom bocado a olhar para este “olho” no meio do prato plantado. E foi-me seguindo enquanto via os outros quadros. Magritte pintou vários olhos, pintou figuras de costas, pintou coisas que dizia não serem elas próprias (“Ce n’est pás une pipe”).
E encontrei este texto : “Em 1938, numa palestra na qual tentava descrever a sua abordagem, explicou:
“A criação de novos objectos, a transformação de objectos conhecidos… o recurso a certas visões captadas entre o sono e a vigília… eram estes os meios utilizados para forçar os objectos a saírem do vulgar… e para estabelecer uma ligação profunda entre a consciência e o mundo exterior.“




