Por metade dos funcionários públicos ter tirado do pescoço um trapinho chamado gravata, parece que o governo amealhou qualquer coisa como 136 mil euros no Verão passado.
Quem usa gravata, como sabemos, são normalmente os homens. Mesmo atendendo ao facto de haver mulheres que têm de usá-la como complemento dum uniforme, não parece significativo que o desengravatanço dos uniformes femininos tivesse contado muito para a poupança conseguida. Se as mulheres usassem gravata como um apêndice igualmente frequente no seu vestuário, aí sim, a ajuda seria a duplicar. É só fazer as contas, como diria o nosso ex-primeiro ministro António Guterres:
136.000 € x 2 = 272.000 €
Certo? Ainda assim é muito pouco. Não chega para nada.
Mas, felizmente, não há só esse trapinho para tirar. Ainda só lhes sacaram metade do subsídio de Natal (bem sei, não é isso, é um imposto especial, mas é só para abreviar a conversa) e os funcionários públicos não são nenhuns andrajosos, ainda têm muita roupinha para descartar. Para melhor fazermos render esse bem, até se escusa de suprimir uma peça de cada vez, podem ir-se rasgando uns bocadinhos das saias, das calças, das camisas, das blusas…enfim, por aí fora.
A certa altura começarão a ter um ar de pedintes, é certo. Mas vão ver como a moda pega depressa. Toda a gente a querer andar vestida com o último modelo dessa classe social de elite, bem paga e cheia de privilégios que mais ninguém tem – os trabalhadores da Função Pública.
Continuando o meu raciocínio percebe-se bem onde isto irá parar. Mas, quando lá chegarmos já estão todos habituados.
Se não fosse para ajudar o país, também eu não andava aqui a perder tempo nos blogs. Sim, porque os outros veículos de comunicação não ajudam nada os membros do nosso governo. É preciso inovar, como eles sempre nos pedem. Toda a gente diz que sim com a cabeça, não há outro meio ou não vem dinheiro, etc., etc., coisa e tal, mas ideias…está quieto! Ninguém dá.
Ora bem, rasgando bocado aqui, eliminando peça ali, e começando esta operação na Primavera, qual é o departamento do Estado que vai precisar de ar condicionado no próximo Verão?
O problema é que vamos chegar a um ponto crucial de avaliação dos prós e dos contras da nova medida. Avaliação é sempre fundamental. Talvez não valha a pena é pagar a consultores nem a peritos estrangeiros. Para avaliar esta inovadora medida muitos quadros nacionais possuem a competência necessária.
Logo se verá, então, o que é mais vantajoso para o país: não se poupar em ar condicionado bastante mais do que os 270.000 € previstos se os dois sexos tirassem só a gravata – quantia que tanta falta nos faz para amortizarmos a dívida ao FMI -, ou deixarmos os funcionários públicos em pelota durante três meses.
E, como no próximo Verão não há subsídio de férias, talvez a segunda hipótese seja um bom treino para ficarmos todos pelo Meco.

Bem engendrado Augusta. Sem tirar nem pôr.
Bem dito, melhor escrito! Certeiro como uma flecha e é por isso que eu vou começar a treinar essa moda da “pelota” mesmo sabendo que o nosso primeiro tem ajudas de custos para uns fatinhos Armani!Um abraço Augusta e sabe muito bem ler a realidade Nua e Crua!