(Conclusão)
2. A intimidade.
Parece como se a introdução for muito cumprida. E, é mesmo assim. Do Ramadão, que precisa de intimidade, sabemos pouco ou nada. Talvez, apenas, pelas notícias da guerra que têm partido a necessária intimidade do Ramadão. Para meditar. Ou talvez, um Ramadão demasiado cumprido ao longo do tempo, quer pela invasão soviética, quer pela invasão cristã. Um jejum de introspeção e de alimentos que dificultam o semear faculdades na alma das crianças e desenvolver as qualidades das do adulto, esse que acaba por se mostrar perante os mais novos, com a incontinência da paz na alma e ensina retaliação e vingança, quer em palavras, quer em acções, quer por falta de Direito punitivo ou por falta do Direito que fica além das emoções, nas mãos de outrem que sabe e não pune porque sim, mas porque está escrito pela mão do homem o que deve ser feito para se conviver com os outros, em presença deles, ou na sua ausência.
A existência de uma solidariedade orgânica ou pensada para a interacção de grupos sociais que racionalizaram uma troca comercial faz já muito tempo. Dentro da qual cai o Natal ou o Ramadão dos cristãos que separam o Governo da comunidade social de seres humanos. O Natal é a festa da família, de comer, de orar, de trocar prendas, de lembrar a décimo segunda lua convertida em sol. O calendário cristão é romano e soube justapor à festa de Jevo ou Júpiter, a mais comemorada na época do Império Romano por ser mais importante divindade, o dia do Nascimento de Xristos ou Jesús.
A variar em cada uma das formas religiosas dos cristãos. Os Presbiterianos e Calvinistas ou a maior parte da Europa do Norte, a ler o Libro de Vida ou Bíblia e comentar os Evangelhos e comer em grupos de bairro ou amigos. A dos Anglicanos da Igreja Baixa, a assistir a Igreja e comer em família. A da Igreja Anglicana Alta ou da Aristocracia, a comemorarem com uma festa religiosa e se afastar a seguir para casa e comer em família. A da Igreja Romana na Europa, a assistir a festa religiosa da meia noite e comer a seguir ou em família ou com amigos íntimos. Varia. Quando há as crianças, é o Grupo Doméstico a procurar a sua intimidade que sabe será curta ao longo do tempo, procurando um convívio de pais e filhos e, talvez avós. Ou não.
Quando avós, a procurar a comemoração ou em casa ou com outros membros da sua geração. Em comum entre todas as formas religiosas cristãs, o facto que faz tempo as juntou: o comércio ou a dádiva a que ficam todos obrigados a trocar. Essa dádiva que o discípulo do invocado Émile Durkheim, Marcel Mauss, denominou a obrigatoriedade do presente que nem por isso, se faz de forma alegre ou feliz. Até as vezes, com um certo desapreço, como diz o autor invocado, nas suas conclusões, quando fala da obrigatoriedade da prenda de Natal. Essas que acabam por não serem nem dádivas nem meditações íntimas, mas sim, uma obrigação para ficar-se gessellchaftemente bem perante os outros e, eventualmente, com uma certo aprecio pela auto estima que soube cumprir o que a solidariedade mecânica manda.
Mas, intimidade? Nem por isso. 3. Feliz Natal? E como? A seguir estas ideias? A entender que nos governamos no Ocidente pelo que é mais conveniente e não pelo amor meditado? Onde os pais mais velhos são expulsos da festa familiar enquanto os mais novos cultivam sua geração ao fazer uma intimidade com eles? Ao se saber que temos lares de idosos que ardem e não têm nem licença nem seguro? Ao sabermos que houve um 11 de Setembro do 2000 a exprimir a raiva da subjugação e da intrusão dos poderosos dentro da solidariedade mecânica-orgânica dos mais tecnologicamente atrasados que estão a viver um Ramadão de mais de vinte e cinco anos de duração? Que o nosso Presidente não foi recebido pelo Buttler inglês da Nação mais poderosa de armas nucleares do mundo? Que a seguir o Natal vamos ter que cancelar o Visa a juros muitos elevados por causa da guerra? Felizes serão os que vão fugir dentro da Missa do Galo a à consoada meio pobre/meio sem prendas que vamos ter? Feliz Natal com a tristeza de sabermos que houve mortos dentro dos símbolos do poder dos Estados Unidos?
Feliz Natal? Com tanto Casal Ventoso e Orçamento Retificado ou como seja que se denomine à necessidade de termos moeda porque as industrias fugiram para a Europa de Leste? Com a globalização? Amargo o real? Feliz Natal com milhões de seres humanos a não comemorarem o seu Ramadão ou porque estão a ser bombardeados ou porque pactuara com o mundo do Natal? Feliz Natal? Só se o leitor ficar elucidado do que significa o Ramadão. E chorar com eles. Com esses que não têm o equivalente em intimidade e em reflexão, ao que os Cristãos, Romanos ou não, vão comemorar.

