Diário de bordo de 4 de Janeiro de 2011

 

 

 

 

Ao assinar a National Defense Authorization Act (DDAA, lei que autoriza as polícias e agências policiais do Estados Unidos a deter qualquer cidadão sem culpa formada, por tempo indeterminado, o presidente Obama acaba de nos esclarecer um pouco mais sobre quem é, o que quer, para onde vai. Os complexos colonialistas, a má consciência que temos sobre os horrores que no passado se cometeram contra os povos indígenas dos «novos mundos» que os europeus «deram ao mundo», leva uma certa inteligentzia europeia a considerar que devemos glorificar aqueles cuja pele identifica como colonizados – os negros, por exemplo. E desculpá-los, façam o que façam – a culpa continua a ser do colonialismo. Este paternalismo é uma forma sublimada de racismo.

Nos Estados Unidos,  é ano de eleições e os republicanos já desencadearam a luta editando um vídeo com as promessa não cumpridas de Obama. Desde que foi para a Casa Branca o desemprego ultrapassou os 8%, os custos com a saúde aumentaram e a despesa subiu em flecha (são afirmações dos republicanos). Mas pior do que as promessas que, da perspectiva republicana, não cumpriu, é a mentira que rodeou  a promoção da sua imagem por todo o mundo – as raízes africanas, todas as tretas em que o marketing o envolveu. A assinatura que o vemos a apor no documento, é um acto revoltante e que lhe retira a simpatia e o apoio que o rodeavam. Porque se trata de um atentado contra a liberdade. 

 

A DDAA não tem qualquer limite temporal ou geográfico. Viola a constituição dos Estados Unidos e viola o direito internacional. É uma lei que só existe nas ditaduras e a sua aplicação a qualquer território, uma afronta potencial a todas as nações do mundo.

 

Há quatro anos, Barack Obama criou entre os progressistas do mundo inteiro a esperança de que um presidente negro, inteligente e honesto, podia mudar o mundo, esbatendo tensões, resolvendo as divergências através do diálogo e não por meios militares.  

 

Obama foi-se encarregando de demonstrar que estávamos enganados – porque o que ele pretendia não era agradar aos progressistas do seu país e do mundo; o seu objectivo foi provar aos poderes económicos, aos falcões do Pentágono e aos cidadãos mais reaccionários da nação, que, apesar de negro, é um «bom americano».

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