agenda cultural de 9 a 15 de Janeiro de 2012

 

 

 

por Rui Oliveira

 

 

 

   1. Dentro da atenção dada a Richard Wagner neste mês, a Fundação Calouste Gulbenkian traz ao seu Grande Auditório Bertrand de Billy para dirigir o Coro e Orquestra Gulbenkian na Quinta 12 de Janeiro às 19h e no Domingo 15 de Janeiro às 21h na interpretação da ópera em três actos Tannhäuser (na versão de Dresden).

   Participam nesta criação operática de Wagner (que, incidentalmente, não a considerava uma obra acabada…) Falk Struckmann baixo (Hermann), Johan Botha tenor (Tannhäuser), Job Arantes Tomé barítono (Wolfram), Jun-Sang Hantenor (Walter), Melanie Diener soprano (Elisabeth), Manuela Uhl soprano (Venus), Luís Rodrigues baixo (Biterolf), Heidi Brunner soprano, Dietmar Kerschbaumtenor (Heinrich), Nuno Dias baixo (Reinmar) e Ana Maria Pinto soprano (jovem pastor).  

 

Na ausência de registo da direcção de Bertrand de Billy, ouça-se a direcção da Bayeriche Stadtorchester por Zubin Metha

com René Kollo (Tannhäuser), Bernd Weikl  (Wolfram von Eschenbach), Waltraud Meier (Venus),

Nadine Secunde (Elisabeth) (Teatro Nacional de Munique 1994)

 

 

 

   2. Com início no Sábado 14 de Janeiro, às 20h, o Teatro Nacional de São Carlos apresenta, em produção belga da Vlaamse Opera, a ópera  Così fan Tutte de Wolfgang Amadeus Mozart, prolongando-se até 26 de Janeiro. 

   Desta opera buffa em dois actos (KV 588), com libreto de Lorenzo da Ponte, diz o compositor português Sérgio Azevedo : Cosi fan tutte (1790) sofre por estar, enfim, “entalada” entre a pré-romântica Don Giovanni (1787) e a popularíssima A Flauta Mágica (1791), ainda por cima ambas acompanhadas de historietas pessoais (como a relação com a morte do pai na primeira e a interpolação da última com a composição do Requiem) e A Flauta Mágica eivada ainda de simbologia maçónica, ao passo que Così fan tutte parece ser apenas uma delicada comédia de enganos, amável e sem pretensões. Porém, e como de costume, em Mozart nada é o que parece. Quem já foi jovem, amou, e viu o seu amor passar para os braços de outro, ou outra, sentirá que a tão criticada disparidade entre o libreto e a música, essa contradição entre a ligeireza da comédia e o desespero amoroso é precisamente aquilo que esta ópera possui de mais singular e de maior significado universal”.

   Toca a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos sob a direcção musical de Erik Nielsen , sendo intérpretes principais  Carmen Romeu como Fiordiligi, Luisa Francesconi como Dorabella, Eduarda Melo como Despina, Fabio Trümpy como Ferrando, Andreas Wolf como Guglielmo e Jorge Vaz de Carvalho como Don Alfonso.

 

Dueto Ah guarda, sorella, ária Vorrei dir, e cor non ho e quinteto Sento, o Dio, che questo piede da ópera Così fan tutte

com Maria Bengtsson (Fiordiligi), Tove Dahlberg (Dorabella), Elena Galitskaya (Despina),

Lionel Lhote (Don Alfonso), Daniel Behle (Ferrando), música da Orquestra e Coro da Opéra de Lyon

(dir. Stefano Montanari) numa encenação ousada de Adrian Noble (2011)

 

 

 

   3. Noutro palco, nesse Sábado 14 de Janeiro, às 21h, o do Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, surge um espectáculo fortemente contrastante, intitulado Per Caso Aznavour corporizado pelo quarteto Cristina Zavalloni Idea.

   Além de Stefano de Bonis no piano e p.eléctrico, Antonio Borghini no baixo eléctrico e Cristiano Calcagnile na bateria, a composição e a voz são de Cristina Zavalloni, uma artista italiana formada pelos palcos do jazz e do bel canto que “já (terá dado) voz a quase tudo na sua vida artística” – foi Anaïs Nin numa ópera de Louis Andriessen mas também Idamante no Idomeneo de Mozart (dir. Julia Jones), trabalhou com Michael Nyman ou Gavin Bryars, com o músico brasileiro Hamilton de Holanda e ainda homenageou a canção italiana da década de 1960. Desde 2009, ao estrear o quarteto IDEA, tem interpretado repertório dum dos expoentes da chanson, Charles Aznavour.

 

Cristina Zavalloni canta “E io tra di voi”  de Charles Aznavour (que a cantou também em francês

“Et moi dans mon coin”, 1967) em Mestre (Itália) em Março 2011

 

 

 

 

   4. O Centro Cultural de Belém (CCB) estreia na Quinta 12 de Janeiro, às 21h, no Pequeno Auditório (ou Sala Eduardo Prado Coelho), a peça Casa & Jardim sobre dois textos de Chris Thorpe a partir de uma ideia de Alan Ayckbourn.

   Esta produção de A Mala Voadora (em colaboração com o Théâtre National de Bretagne) tem a seguinte sinopse : “Oito mulheres, numa festa, movimentam-se entre o interior e o exterior de uma casa. Entre a casa e o jardim. Casa e jardim são duas peças representadas em simultâneo pelas mesmas atrizes, a desempenharem os mesmos papéis, em dois palcos diferentes. O público vê primeiro uma e depois a outra. Casa e jardim estão apenas à distância de uma parede, tal como os dois lados de uma muralha”.

   Com direção de Jorge Andrade e cenografia de José Capela, conta com as participações de Anabela Almeida, Carla Bolito, Crista Alfaiate, Joana Bárcia, Mónica Garnel, Paula Diogo, Sílvia Filipe e Tânia Alves.       

 

 

 

   5. A Culturgest dá início na Terça 10 de Janeiro, pelas 18h30 no seu Pequeno Auditório e com entrada livre, ao Ciclo de Conferências MUDANDO DE MUNDO  Globalização e Conflitos no Novo Século proferidas por José Manuel Félix Ribeiro, licenciado em economia (ISCEF) e aposentado do Departamento de Prospectiva e Planeamento e Relações Internacionais do Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território.

   Este ciclo de conferências pretende fornecer um conjunto de informação sintetizada e trabalhada que permita melhor compreender as múltiplas tensões que se cruzam no mundo de amanhã e que já fazem sentir a sua presença no mundo de hoje. Começando por compreender a globalização, a sua estrutura, os seus actores principais, os fluxos que a organizam e as suas fases, relacionando em seguida a economia da globalização com a profunda transformação estratégica e geopolítica no pós-Guerra Fria, compreendendo o papel central dos EUA nos três níveis – económico, geopolítico e estratégico e as consequências para a Europa da Globalização e do fim da Guerra Fria.

 

    Colocando-nos no “hoje” – ou seja na crise financeira mundial e na turbulência geopolítica em torno da Energia – com as incertezas que coloca quanto ao(s) futuro(s) possíveis dos seus actores, tentando compreender as origens dessa crise actual e o modo distinto como atinge os EUA e a Europa. Procurando depois fazer uma abordagem à crise da dívida soberana na margem Norte do Mediterrâneo e ao que pode representar para o(s) futuro(s) da zona Euro e para as relações transatlânticas, quando ocorre ao mesmo tempo que as mudanças de regime e as turbulências geopolíticas na margem Sul do Mediterrâneo. E concentrando a atenção do futuro nas relações geopolíticas e estratégicas entre os EUA e as três Ásias: Ásia Pacifico, Ásia Central e do Sul e Golfo Pérsico – espaço onde se localizam potenciais actores principais no futuro – EUA, China, Índia, Irão… Não esquecendo aqueles que ainda não sabemos se vão, e como vão, irromper em cena.

   O calendário do ciclo é o seguinte :

  10 de janeiro  A globalização: actores, fluxos e crises – uma visita a partir do Pacífico

  17 de janeiro  Os EUA, os arquitetos da globalização – potência em declínio ou fénix renascida?

  24 de janeiro  A emergência das Ásias e os violentos conflitos que podemos esperar

  31 de janeiro  A Europa, que destino – o Mediterrâneo ou o Ártico?

 

 

 

 

Cordas sobresselentes

 

 

                                                                        

 

   A 9 de Janeiro, as 19h na Biblioteca do Goethe-Institut de Portugal (ao Campo dos Mártires da Pátria, 37), o Encontro Literário é sobre “O mal-estar com o Acordo Ortográfico” e será uma conversa com Maria Alzira Seixo, Rui Zink e Vasco Graça Moura, moderada por Teresa Salema e seguida de debate com a assistência.

   Os organizadores introduzem-no afirmando : “ As dúvidas persistem e avolumam-se quanto ao AO de 1990: enquanto alguns reclamam uma alegada facilidade fonética e defendem uma necessária evolução da língua, outros sustentam que a plasticidade e história da língua, como organismo vivo em constante auto-criação, não pode erradicar levianamente o que a une às origens latinas. Por outro lado, a ausência de ratificação pela maioria dos países lusófonos e as diferenças gramaticais que persistem com as outras variantes do português põem em causa a eficácia de uma reforma que pode revelar-se uma porta aberta a todos os atropelos e arbitrariedades”.

       

 

   Ainda a 9 de Janeiro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30, o pianista José Bom de Sousa tocará obras de Isaac Albéniz e Franz Liszt. (entrada livre, apoio da Juventude Musical Portuguesa).

 

    No Institut Français de Portugal há, a 10 de Janeiro, uma nova sessão do seu Café Philo sobre o tema “Y a-t-il une vérité en Politique ?” das 19 às 21h30, debate que será animado por Omar Belhassaïn e Alexis Gosdeel.  (entrada livre)

 

 

   Decorre de 11 a 15 de Janeiro no cinema City Classic Alvalade a 3ª Mostra de Cinema de Hong Kong promovida pela  Zero em Comportamento.  A abertura da mostra  será feita com o filme All About Love (2010) de Ann Hui, um olhar singular sobre a homossexualidade feminina e os desafios da constituição de uma família que aborda sexualidade, maternidade e discriminação, temas habitualmente ausentes da cinematografia conservadora de Hong Kong.

 

Trailer do filme da cineasta chinesa Ann Hui

 

 

   O programa inclui ainda Break Up Club de Barbara Wong, Crossing Hennessy de Ivy Ho, The Drunkard de Freddie Wong, La Comédie Humaine de Chan Hing-kai e Janet Chun e Echoes of the Rainbow de Alex Law. A mostra termina com a exibição de Gallants, de Derek Kwok, que conta a história de dois antigos discípulos de Law, mestre de kung-fu, que tentam ajudá-lo a salvar a sua escola de artes marciais.  (ver programação completa em : http://www.zeroemcomportamento.org/hongkong/ )

 

 

   Estreia a 11 de Janeiro, às 21h30, na Sala Principal do Teatro Maria Matos a peça de Rui Catalão “Melodrama para 2 actores & 1 fantasma”  dirigida pelo autor e interpretada por Cláudio da Silva e Sofia Dinger. Permanece até 18 de Janeiro.

   O tema e o texto : “Aprisionado na sua obsessão amorosa, um casal hesita em revelar o que esconde um do outro enquanto procura reconstruir momentos que marcaram o seu passado. A realidade exterior é por ambos reduzida a um jogo de sombras ilusórias. Tão pouco lhes importa as mudanças cá fora, de um mundo em apavorante transformação — deixaram-se fascinar pela intimidade”. Concentrando tudo na experiência sensorial dos corpos, nesta peça o melodrama é convocado para dar a ver não o sofrimento das personagens, mas as suas fantasias de paixão. A palavra dá lugar ao toque, aos gestos, torsões e olhares — onde a história se esconde. Os corpos ficam entregues à via solitária da sua busca de satisfação.   

 

 

   Estreia também a 11 de Janeiro, às 21h, no Teatro da Politécnica e produzida pelos Artistas Unidos, a peça de Giovanni Testori  Herodíades, em tradução de Miguel Serras Pereira. Encenada por Jorge Silva Melo com cenografia e figurinos de Rita Lopes Alves e interpretada por Elmano Sancho, é a revelação daquele dramaturgo em Portugal. Permanece até 21/1.

   Como explica o programa : “Testori (1923-93),(é) o autor das novelas que deram origem ao Rocco de Visconti, o tradutor de Rimbaud e de São Paulo, foi um dos maiores inventores do teatro do século XX, propondo, no final da vida, uma reconciliação dramática entre a doutrina católica e o ardor sexual, o vitupério e a caridade, à procura  do lugar “daquele que traz o escândalo”. E, estupefactos, ouvimo-lo no seu combate com a linguagem, com o corpo, com a nudez da cena, com o espectáculo de feira, com a pobreza. Nas origens  e em continuidade de tanta arte que se faz e se fez em Itália, sulfuroso, paradoxal, transpirado, sujo, lírico e ordinário, um teatro indispensável”.   

 

   A 11 de Janeiro, às 0h00, actuam no MusicBox os Godspeed Society, grupo português de influências cabaret-noir e jazzísticas bem assentes numa base rock/metal.influências cabaret-noir e jazzísticas bem assentes numa base de rock/metal

influências cabaret-noir e jazzísticas bem assentes numa base de rock/metal influências cabaret-noir e jazzísticas bem assentes numa base de rock/metal

 

 

   O Centro de Arte Moderna –CAM da Fundação Gulbenkian exibe a 12 e 13 de Janeiro na sua Sala Polivalente às 15h o segundo dos encontros da sua Task Performance. Trata-se dum ciclo de filmes experimentais, que apresenta artistas que exploram uma particular relação com o tempo de uma acção física ou “desempenho de uma tarefa” (task performance) que envolve uma acção do corpo num tempo e duração particular. (ver Pentacórdio anterior)

   Este encontro é com os desenhos transferidos de Dennis Oppenheim:  a série de “transfer drawings”, que serão mostrados neste ciclo, expandem o campo do desenho para territórios que ainda não tinham sido explorados antes de Dennis Oppenheim realizar estes desenhos/acções performativas (1971-72), envolvendo a transferência de estímulos sensoriais entre o seu corpo e os dos seus filhos (Erik e Chandra). 

 

 

   De 12 a 15 de Janeiro, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, às 21h, exibe-se o espectáculo de Álvaro Garcia de Zúñiga Conferência de Imprensa.

   Ora toda a conferência de imprensa tem por objectivo dar a conhecer informações precisas sobre um assunto determinado. Resta definir o que entendemos por ‘precisas’, ‘informação’, ‘dar’, ‘determinado’ e ‘objectivo’. Esta peça brinca com as distâncias entre o som, o enunciado e o seu sentido. João Louro, outro criador que desconfia das palavras e das imagens, reconstrói um cruzamento improvável entre uma banal sala de imprensa e um estendal de roupa desconcertante..

   Encenada por Alvaro García de Zúñiga e com um espaço cénico de João Louro, é interpretada por William Nadylam com Alínea B. Issilva. (o espectáculo é em inglês, legendado em português)

 

   A 12 de Janeiro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 19h30, num concerto promovido pela Embaixada do Luxemburgo, ouvir-se-ão obras dos componentes do agrupamento de jazz Trio Reis-Demuth-Wiltgen. (ver adiante a 13/1 no Ondajazz) 

 

   Ainda a 12 de Janeiro, às 22h30 no Ondajazz toca o conjunto Trilogie composto por Diogo Vida piano, Massimo Cavalli contrabaixo e Jorge Moniz bateria, formação consolidada nas inúmeras jam sessions ali efectuadas.

 

   Também a 12 de Janeiro, às 23h, no MusicBox o grupo português  os :Paper Cutz, já com reconhecimento novaiorquino, vem apresentar “The Blur Between Us”, o seu novo álbum, pela primeira vez, em Lisboa. Iniciado apenas por Bruno Miguel, juntar-se-lhe-iam mais tarde a norte-americana Melissa Vera e Francisco Bernardo.

   São precedidos no palco pelo rock dos portugueses Hã!

 

   Abre a 12 de Janeiro no Instituto Cervantes de Lisboa, das 10 às 19h, a exposição  Marín. Fotografías 1908-1940 (proveniente da Fundación Pablo Iglesias) que mostra a história calada e esquecida dos anos anteriores à Guerra Civil. Trata-se dum legado de valor documental incalculável de um importante fotógrafo, Luis Ramón Marín (1885-1944), caido de forma injusta no esquecimento, que começara a publicar as suas fotografías na imprensa (sobretudo no Informaciones) a partir de 1908 até ao último trabalho em Madrid (1940). Encerra a 11/2.

    

                                               proclamação da 2ª República Espanhola em 14-4-1931

  

   A 13 de Janeiro o Teatro Nacional de São Carlos prossegue o seu Ciclo “Concertos Corais”  no Salão Nobre, às 18h, onde o Coro do T.N.São Carlos (dir. Giovanni Andreoli), acompanhado por Kodo Yamagishi ao piano, cantará o Requiem, em Dó menor, op. 23 (À memória de Camões) de João Domingos Bomtempo.

 

   Ainda a 13 de Janeiro e ainda no “clima” Wagner, a Fundação Gulbenkian projecta no seu Grande Auditório, às 19h, outro filme wagneriano emblemático, o Parsifal de Hans Syberberg (1982) onde este adaptou a obra homónima  e que estreou no centenário da morte do compositor alemão. 

Epílogo do Parsifal de Hans Jürgen Syberberg com Michael Kutter/Karin Krick como Parsifal (cantado por von Rainer Goldberg)

e música da Orchestre Philarmonique de Monte Carlo e do Coro da Prague Philharmonie (dir. Armin Jordan)

 

 

 

   No Auditório Carlos Paredes (a Benfica), às 21h30 de 13 de Janeiro, os  Sopros da Orquestra Metropolitana de Lisboa (dir. Reinaldo Guerreiro), num programa chamado Sons pela cidade (comentado por Rui Campos Leitão), tocarão de :
        Gaetano Maria Donizetti – Sinfonia em Sol menor

        Gioachino Rossini – Abertura da ópera Guilherme Tell (arr. Wenzel Sedlák)

        Charles Gounod – Pequena sinfonia

        Jean Françaix Le gai Paris

   No Teatro do Bairro, às 21h de 13 de Janeiro, há uma performance da Compota “multidisciplinar, interactiva, im provisada” onde, além da dança, da música, da imagem e das artes plásticas, se acrescenta agora “o jazz tocado ao vivo por José Dias, Nuno Oliveira e Alexandre Alves e a voz doce de Patrícia Vasconcelos”.

 

   No Teatro da Trindade, a 13 e 14 de Janeiro, na Sala Principal às 22h, representa-se a 3ª parte do Projecto O elaborado a partir da obra literária de George Orwell por Ana Ribeiro e António Duarte e interpretada por Alexandra Viveiros, Ana Ribeiro, Inês Lago, José Vitorino, Márcia Cardoso, Martim Pedroso, Paula Só e Victor Gonçalves. Intitula-se  As Ruas são tão tristes, precisam de mais luz…

   Dizem os seus autores : “O conceito deste projecto, sempre foi o de criar uma estrutura que nos permitisse uma liberdade artística perante o contexto real do espaço e do lugar onde estamos a apresentar … a proposta é a de um espectáculo fragmentado, à laia de cabaret, onde se utilizam vários códigos formais, conferência, criação de quadros teatrais /musicais, teatro radiofónico, concerto, spoken word”.

 

   Às 19h de 13 de Janeiro, no Pavilhão Preto do Museu da Cidade, a Casa da América Latina e a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, organizadores dum ciclo de conversas intitulado Conversas no Museu onde se propõe um olhar multidisciplinar sobre a obra e a vida de Frida Kahlo (cuja exposição encerra a 29/1), promovem a palestra “Visualidade e Memória” com a participação de Isabel Capeloa Gil, directora da Faculdade de Ciências Humanas da UCP e do realizador de cinema João Canijo.

 

   No Ondajazz, às 22h30 de 13 de Janeiro, toca o RDW Trio de Michel Reis piano, Marc Demuth contrabaixo e  Paul Wiltgen bateria que iniciara a sua carreira no Luxemburgo há cerca de 10 anos tocando regularmente como grupo entre 1998 e 2002. Dispersos em 2003 (o baixo Demuth nos Conservatórios de Bruxelas e Haia, o baterista Wiltgen e o pianista Michel Reis nos Estados Unidos da América), reuniram-se recentemente e a sua música pode ser definida “como Jazz Contemporâneo Vital … baseando-se essêncialmente em composições originais, cada uma delas composta individualmente por Michel Reis, Marc Demuth e Paul Wiltgen, reflectindo as influências e o imaginário de cada um”.

 

O RDW Trio de Reis, Delmuth e Wiltgen tocando em 2011 no Völklinger Hüttenjazz (Alemanha)

 

 

   Na Galeria Zé dos Bois (ZDB), às 23h de 13 de Janeiro, o duo Aquaparque, composto por Pedro Magina voz,teclados e harmónica e André Abel voz e guitarra acústica vêm tocar o pop rock do seu segundo album de Março Pintura Moderna. São, segundo a ZDB, “uma banda que exige pausas, tempo, distância. Há um sentido melodramático na sua música, um excesso de expressão, uma languidez intensa. A atmosfera em que enleiam o ouvinte menos avisado embriaga e sufoca. É música pop, dirão. Dançável, sensual, ambígua, sinuosa…”.

   Precedem-nos a electrónica dos Holy Strays e dos Cankun.

 

   No MusicBox a 13 de Janeiro, às 1h00, a festa da  Jungle Boggie Party  revisita o groove dos anos 60 e 70 e a devoção desta geração à dança com a energia do funk e a profundidade da soul através da actuação dos Cais do Sodré Funk Connection.

 

   No Grande Auditório da Culturgest, a 14 de Janeiro, às 21h30, o Filipe Raposo Trio vem apresentar o seu primeiro CD recém-editado First Falls, onde o conjunto deste jóvem compositor e pianista de formação clássica (mas já participante em experiências jazzísticas bem sucedidas) se apresenta em duas formações diferentes, ora com Carlos Bica contrabaixo e Vicky Marques bateria, ora com Yuri Daniel baixo fretless e Carlos Miguel bateria e ainda Hugo Fernandes no violoncelo.   

 

 

 

   A 14 de Janeiro, às 16h e às 21h, a Escola de Dança do Conservatório Nacional apresenta no Teatro Camões (ao Parque das Nações) o tradicional bailado de natal “O Quebra-Nozes” na versão russa dos coreógrafos Voinonen/Iananis, dançado pelos alunos da Escola de Dança.

   Com música de Tchaikovski, coreografia de V. Vainonen, remontagem de Natália Iananis e figurinos de Alla Frolova, o bailado tem como ensaiadores Pedro Carneiro, Pascale Mosselmans, Irina Zavialova, José Luís Vieira, Mikhail Zavialov e Marc de Graef.

 

   No Ondajazz, às 22h30, apresenta-se o The Mingus Project – Beneath The Underdog”, projecto recente do contrabaixista Nelson Cascais que reuniu à sua volta Diogo Duque  trompete, Ricardo Toscano saxofone alto, Victor Zamora piano e Vasco Furtado bateria. Justifica-o desta forma : Quando, há vinte anos atrás, coloquei o vinyl no gira-discos e pela primeira vez escutei o tema Pithecanthropus Erectus algo em mim mudou. Estava ali uma coisa diferente de tudo o que já ouvira, com uma energia, uma intensidade e sonoridade tão particulares … agarrou-me definitivamente e decidi que seria contrabaixista de Jazz. Considero Charles Mingus um dos mais importantes músicos norte americanos do século XX … a sua extensa obra, criada ao longo de 56 anos, fortemente enraizada no Blues e no Gospel, no jazz de Ellington, Bird e Monk, bem como na música de Schoenberg e Stravinsky, foi … simultaneamente tradicional e vanguardista, doce e agressiva, tal como a sua complexa e instável personalidade”.

 

   No MusicBox, às 0h00 de 14 de Janeiro o clima de fusão anda à volta dos Groove 4tet (Frederico Martinho guitarra, Daniel Lima Hammond, João Correia  bateria e Pedro Pinto  contrabaixo) praticantes, “sem pretensões de afirmação técnica” (dizem) do gosto pelo jazz, o soul, o funk, os blues.

 

   A 14 de Janeiro, ainda, o Grupo de Percussão do Conservatório Nacional dá às 17h um concerto no Museu do Oriente com um repertório simples mas “de grande capacidade motivadora” (por ora desconhecido no seu pormenor).

 

   O grupo Cordas da Orquestra Metropolitana de Lisboa (com direcção musical de Pedro Neves) dará dois concertos (ambos comentados por Rui Campos Leitão) às 17h de 14 de Janeiro na Manutenção Militar e também às 17h de 15 de Janeiro no Centro Cultural de Carnide com programa idêntico :

        Edward Elgar  Serenata para Cordas, Op. 20

        Luís de Freitas Branco  Duas melodias

        Edvard Grieg  Suite Do tempo de Holberg, Op. 40

 

   No Domingo 15 de Janeiro, às 16h, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz“Canto russo sacro e tradicional – um panorama”  interpretado pelo Coro do Departamento de Ciências Musicais da FCSH da Universidade Nova de Lisboa orientado pela prof. Svetlana Poliakova.       

   Ouvir-se-ão Cânticos de Missa e Vésperas do rito Bizantino, a saber : “Rei dos Céus“, canto znamenny, S. Smolensky, Grande litania, Verdadeiramente é digno, canto grego, Aleluia, canto znamenny a 3 vozes, Hino de Querubins, cantochão russo, Salmos de Lucernário com estiquiras, 1 tom (Trad. I. Moody), Rejubila Virgem Mãe de Deus, cantochão russo, Bétula, canção tradicional russa e Vechernyi zvon, canção tradicional russa (Texto de I. Kozlov e arr. para canto e piano de N. Ivanov).

 

    Alertamos que termina neste 15 de Janeiro, às 21h30, o acolhimento que o Teatro Meridional  dá à peça do Teatro Experimental do Porto de Rui Pina Coelho  Já Passaram Quantos Anos,Perguntou Ele ?, com encenação de Gonçalo Amorim e interpretação de Carlos Marques, Joana de Verona, Luis Araújo e Raquel Castro.

   Diz a sinopse: “Já passaram quantos anos desde a última vez que falámos, perguntou ele? é sobre andar à procura de lugar, é sobre o tempo a passar,…  é sobre as revoluções, as passadas e as adiadas. É sobre o fim do mundo e a importância relativa das coisas. É sobre aqueles que, embora com trinta e poucos anos, ainda guardam a esperança que o Guardiola os possa chamar para jogar a extremo esquerdo do Barça. É sobre aquele verso do John Lennon, “Life is what happens to you while you are busy making other plans”. E é inspirado no texto do John Osborne, Look Back in Anger, escrito num momento em que parecia não haver mais causas pelas quais valesse a pena lutar”.

 

 

   Para concluir, registe-se a estreia recente de dois filmes sobre os quais a crítica se tem dividido e a que faremos referência quando os tivermos visto. São O Deus da Carnificina (Carnage), 2011 do experiente Roman Polanski e Martha Marcy May Marlene, 2011 do estreante Sean Durkin.

   Por ter merecido elogio rasgado de alguns e, como documentário, se prever uma vida mais breve nas salas de cinema, permitimo-nos recomendar A gruta dos sonhos perdidos (Cave of forgotten dreams), 2010 de Werner Herzog, filme que o conhecido cineasta alemão fez sobre a gruta de Chauvet com desenhos rupestres tidos como os mais remotos exemplos da arte paleolítica alguma vez encontrados e que ainda não são do conhecimento do público não especialista. A gruta como um portal para outro tempo, outro lugar, outro universo ; Herzog pergunta mesmo no final do filme “ e o que julgarão das proezas artísticas dos nossos antepassados os olhos de um crocodilo albino?

 

 

 

 

Caro leitor : Deixo-o com o trailer do filme a reflectir sobre a questão “herzoguiana” e até para a semana !

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