(Conclusão)
Reduzidos a espectadores
Habermas considera que os estados não têm direitos “, somente o povo têm direitos”, e então dá o passo final e coloca os povos da Europa e os cidadãos da Europa na sua posição, a que lhes é própria – são estes os actores históricos reais a seus olhos, não os estados, não os governos. São os cidadãos que, segundo a forma actual como a política é conduzida, assim foram reduzidos a espectadores.
A sua visão é a seguinte: “Os cidadãos de cada país, que até agora tiveram de aceitar a forma como as responsabilidades têm sido transferidas para além das fronteiras soberanas, podem, como cidadãos europeus, impor a sua influência democrática e a esta sujeitar os governos que estão a agir dentro de uma zona constitucionalmente cinzenta “.
Este é o ponto principal de Habermas e é o que tem faltado a partir da visão da Europa: uma fórmula sobre o que está errado com a construção actual. Este não vê a União Europeia como uma comunidade de estados ou como uma federação, mas sim como algo de novo. É um conceito jurídico que os povos da Europa acordaram em conjunto com os cidadãos da Europa – nós com nós mesmos, por outras palavras – numa forma dual e omitindo cada governo respectivo. Isto, naturalmente, remove a base do poder de Merkel e de Sarkozy mas isso é o que é pretendido e é do que se está à procura e a todo o custo.
Então Habermas parece atingido, de novo, pelo cansaço. Ele tem que sentar-se novamente, e um professor traz-lhe um pouco de sumo de laranja. Habermas tira o lenço. Depois, levanta-se e continua a falar sobre como salvar o “biótopo da velha Europa.”
Há uma alternativa, diz-nos, há uma outra via, bem para além da via que é rastejar no poder como o que agora estamos a assistir. Os meios de comunicação “devem” ajudar os cidadãos a compreender a enorme dimensão a que a União Europeia influencia as suas vidas. Os políticos “poderiam” certamente entender a enorme pressão que cairia sobre eles, se a Europa falha. A União Europeia “deve” ser democratizada.
A sua apresentação é como a do seu livro. Não é uma acusação, ainda que certamente tenha um certo tom agressivo, é uma análise do fracasso da política europeia. Habermas não oferece nenhuma saída, nenhuma resposta concreta à questão de qual o caminho que a democracia e o capitalismo devem tomar.
Um Futuro Vago e um Aviso do Passado
Tudo o que ele oferece é o tipo de visão que um teórico constitucional é capaz de formular: A “comunidade global” terá que resolver o problema. No meio da crise, ainda vê “o exemplo do elaborado conceito da União Europeia de uma cooperação constitucional entre os cidadãos e os estados “, como a melhor maneira de construir a “comunidade global de cidadãos.”
Habermas é, afinal, um optimista pragmático. Ele não nos diz que medidas se irá tomar para saír de uma muito má situação para uma melhor e mais desejável situação.
O que ele não tem, em última análise é uma narrativa convincente. Isto também liga Habermas, uma vez mais, ao movimento Occupy. Mas sem uma narrativa não existe o conceito de mudança.
Ele recebe uma ovação de pé no final da sua conferência.
“Se o projecto europeu falhar”, diz ele, “então há a questão de quanto tempo vai ser necessário demorar para chegar ao status quo novamente Lembremo-nos da revolução alemã de 1848: Quando falhou, levamos 100 anos para recuperar o mesmo nível de democracia como antes.”
Um futuro vago e um aviso do passado – é o que Habermas nos oferece. O presente é, pelo menos nos tempos que correm, inacessível.
Georg Diez, Habermas, the Last European-A Philosopher’s Mission to Save the EU, Der Spiegel, 25 de Novembro de 2011.
Traduzido do alemão por Paul Cohen, Traduzido do inglês por Júlio Marques Mota

