Diário de Bordo de 10 de Janeiro de 2012

 

Noticiam os jornais que vão ser lançadas medidas adicionais de austeridade. Este novo avanço no projecto insensato e criminoso de fazer os cidadãos pagar uma dívida que foi contraída por sucessivos maus governos e cujo montante foi em grande parte canalizado para contas pessoais de ex-governantes ou seus amigos, indica-nos que esta investida contra os nossos direitos, não ficará por aqui.

 

Segundo documento que Vítor Gaspar apresentou no conselho de 18 de Dezembro, «as estimativas indicam a necessidade de medidas adicionais no valor de cerca de 0,3 por cento do PIB». Nestes 0,3% inclui-se 0,1% de desvio devido a uma maior deterioração da economia que o esperado pelo Governo. Prevê-se um défice orçamental de 5,4% este ano, 0,9 pontos percentuais acima do acordado com a troika, devido à utilização das receitas dos fundos de pensões. Receitas que servirão «para reduzir o stock de pagamentos em atraso em 2012, A transferência dos fundos de pensões obrigarão a Segurança Social a pagar 478 milhões de euros em pensões aos bancários que a passam a integrar. A utilização dos restantes 4.500 milhões de euros permitirá «obter poupanças em juros de 225 milhões de euros».

 

O discípulo de Milton Friedman está a “resolver” o problema de calculadora em riste. Como a corrupção não pára, vai lançando medidas adicionais que cubram o que for faltando. Tira-se aos pobres para que os ricos não sofram cortes nos seus rendimentos e, ao mesmo tempo, se possa cumprir com a troika.

 

Temos anunciado um debate sobre a Democracia entre colaboradores e visitantes deste blogue. Amanhã exporemos em que bases propomos que esse debate decorra. Pediremos concisão e clareza, intervenções curtas e muito explícitas. Como disse Saramago num vídeo que passámos diversas vezes, a democracia não é uma santa de altar. Pode e deve ser discutida. Sabemos hoje que o Governo vai lançar mais medidas de austeridade. Temos de reagir. Será que aceitamos que em democracia o papel dos cidadãos se esgota na ida às urnas? Noutro vídeo que temos também publicado, Eduardo Galeano, conta uma fábula em que a diversos animais se dá a escolher em que molho querem ser cozinhados. Uma galinha diz – «mas eu não quero ser cozinhada! » O cozinheiro berra-lhe: «Isso está fora de questão!».

 

É-nos dado a escolher entre um PS dominado por gente que de socialista nada tem e um PSD, herdeiro da ala liberal do partido único do Estado Novo, onde nunca brilhou a luz da inteligência e muito menos a da honestidade. Estamos há muitos anos a ser fritos num molho perverso composto por insensatez, sabujice e corrupção. Queremos viver em democracia.

 

Ou isso estará fora de questão?

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