LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA – 9 – por José Brandão

Ao olhar esta lista onde dominam as cartas, com uma Carta Aberta ao Presidente do Conselho, endereçada por José Magalhães Godinho e editada em 1973. Marcelo Caetano, após a demissão de Salazar, alimentara a esperança de que iria acabar com a Guerra Colonial, enveredando pela via das negociações com os movimentos independentistas e produzir uma série de modificações no funcionamento do aparelho de Estado, nomeadamente na legalização de partidos oposicionistas (exceptuando os de natureza marxista, dizia-se), extinção da PIDE, preparando o País para eleições livres e democráticas. Houve quem acreditasse nesta «primavera marcelista». Em 1973, ano das segundas eleições pós-Salazar, as esperanças nessa Primavera tinham morrido – a guerra continuou, a PIDE foi “extinta”, pois mudou de nome e passou a chamar-se DGS; a única oposição permitida foi a de uma ala liberal no seio do partido único que passou a chamar-se Acção Nacional Popular. A análise ao regime feita por José Magalhães Godinho  reflecte a desilusão dos democratas – é uma crítica aguda à ditadura – por isso foi proibido.

 

 As Cartas Sobre o Materialismo Dialéctico, de Engels ou as Cartas de Estalinegrado, com prefácio de Mário Sacramento e tradução de Helena Rosado, reflectindo o desespero e a obstinação heróica dos sitiados, não agradou também aos censores policiais. Mas não se cansariam muito a ler. A consulta das listas com os nomes dos autores «malditos», facilitava-lhes a vida. Havia escritores que viam proibidos livros de conteúdos pacíificos – mas estavam na lista negra…

 

 

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