
A definição que lemos no cartoon pode ser um exagero, mas, de certo modo, exprime um sentimento que se vai generalizando – a democracia em que vivemos, tem vindo, desde que em 25 de Abril de 1974 foi conquistada pelo MFA, a degradar-se e a converter-se numa oligarquia, num simulacro de democracia gerido por dois partidos que para tudo o que é importante, funcionam como duas sensibilidades do mesmo partido. A União Nacional e principalmente a Acção Nacional Popular tinha esse tipo de matizes – como, por exemplo, a ala liberal que faz parte na genealogia do PSD.
Para tipificar a democracia que temos escolhemos, desde que começámos a anunciar este debate, palavras de dois escritores – José Saramago e Eduardo Galeano – palavras que sintetizam o que pensamos ser o paradoxo de uma democracia que se converte em regime autoritário. A intervenção de Saramago, a sua afirmação de que a Democracia deve ser discutida, e a fábula contada por Galeano – são quanto a nós magníficas sínteses do que se nos afigura como questões centrais. A democracia deve ser discutida e participada; os cidadãos não podem ver o seu direito de intervenção esgotado nos actos eleitorais. Ainda hoje colocaremos essas duas lapidares intervenções de Saramago e Galeano.
Tal como durante os 48 anos de ditadura, o poder, o verdadeiro poder, está nas mãos dos grandes grupos económicos. Mas agora esta situação é sancionada pelo voto livre dos cidadãos ao elegerem os seus representantes no Parlamento e o chefe de Estado. Parece ser uma diferença pouco mais do que formal. Há liberdade uma total de expressão, mas a televisão e o marketing político das grandes máquinas partidárias do chamado «bloco central» se encarregam, através de insidiosos opinion makers, de unificar o pensamento e de fazer parecer normal uma situação anormal.
O debate que vamos iniciar às 20 horas da próxima segunda-feira, dia 16, tem como objectivo fazer um levantamento de pistas que nos permitam avaliar que alternativas existem a esta democracia formal. Tão formal que o actual executivo se permite na sua prática governativa a fazer o contrário do que prometeu na campanha – todos sabemos o que prometeu e todos sentimos e sofremos o que está a fazer. Um voto é um contrato – se um dos intervenientes viola o estabelecido, o acordo deveria ser anulado.
Vamos ler os depoimentos e debatê-los.
As regras são muito simples:
1 – O debate terá lugar entre os dias 16 e 23 deste mês (2ªas feiras) , portanto durante oito dias; os depoimentos seriam publicados às 20 horas . Poderá ser publicado mais do que um depoimento em simultâneo. Todos os colaboradores e visitantes do nosso blogue poderão depor e comentar os depoimento.
2 – Cada depoimento terá um limite de 4000 caracteres (não contando espaços).
3 – O autor do depoimento, se assim o desejar, irá respondendo à medida que as opiniões forem surgindo ou guardará a sua resposta para o último dia. As respostas não deverão exceder os 500 caracteres.
4- Todos os comentários que, concordando ou divergindo, não sejam formulados em termos correctos e de respeito pelas ideias alheias, serão cortados.
5 – Se o volume de depoimentos e de comentários assim o justificar, a data estabelecida para o encerramento do debate poderá ser adiada.
6 – Após o encerramento do debate, será formada uma comissão ad hoc com o objectivo de redigir as conclusões.
Os visitantes que queiram participar, devem enviar os seus depoimentos, com identificação, endereço electrónico. Não se aceitam depoimentos assinados com pseudónimos.
