Um Café na Internet
Quadro de Vladimir Kush
____________________________________________________________
Francesco Petrarca
Há animais no mundo
Há animais no mundo com tão fera
vista que contra o sol bem se defende;
mas outros, pois o mor lume os ofende,
só saem quando a tarde se modera;
e outros, cujo desejo louco espera
gozar talvez no fogo, porque esplende,
provam a alta virtude, a que os acende.
Ai de mim! nessa fila eu me quisera,
que não sou forte a contemplar a luz
desta senhora e não me escudo em termos
de lugar ensombrado ou hora tarda.
Mas de olhos lacrimosos e enfermos,
o meu destino a vê-la me conduz;
e bem sei ir atrás do que em mim arda.
(Rima 19 – Tradução de Vasco Graça Moura)
Francesco Petrarca
Son animali al mondo
Son animali al mondo de sí altera
vista che ‘ncontra ‘l sol pur si difende;
altri, però che ‘l gran lume gli offende,
non escon fuor se non verso la sera;
et altri, col desio folle che spera
gioir forse nel foco, perché splende,
provan l’altra vertú, quella che ‘encende:
lasso, e ‘l mio loco è ‘n questa ultima schera.
Ch’i’ non son forte ad aspectar la luce
di questa donna, et non so fare schermi
di luoghi tenebrosi, o d’ ore tarde:
però con gli occhi lagrimosi e ‘nfermi
mio destino a vederla mi conduce;
et so ben ch’i’ vo dietro a quel che m’arde.
Francesco Petrarca (Arezzo, 1304 – Arquà, 1374)poeta italiano , famoso, principalmente, devido ao seu Cancioneiro. É considerado o criador do soneto. Foi na obra de Petrarca, escrita em florentino, bem como na de Dante e Boccaccio, que no século XVI foi criado o modelo do italiano que viria a ser adoptado pela Accademia della Crusca.

