Diário de bordo de 17 de Janeiro de 2012

 

 

Iniciámos ontem o nosso debate sobre o rumo que a Democracia deveria tomar em Portugal. O coronel Carlos de Matos Gomes, um homem de Abril, diz – «Penso que a principal ameaça à democracia, aqui em Portugal, é a injustiça». A democracia em Portugal está presa pelo frágil fio da justiça. É pela Justiça e na Justiça que todos devíamos começar e acabar as discussões sobre a democracia».

 

É verdade.

 

Se o problema da justiça social estivesse resolvido em Portugal, talvez não estivéssemos a organizar um debate sobre a democracia. A principal fragilidade do nosso sistema político é o de permitir assimetrias inaceitáveis. Num período de crise global, torna-se obscena a troca de acusações entre Governo e Oposição no que se refere aos índices de favorecimento das respectivas clientelas políticas.

 

Passos Coelho afirma que nunca outro Governo nomeou tão pouca gente. E afirmou que o PS tinha feito muito mais nomeações. A resposta do PS não se fez esperar – «Este Governo, durante estes primeiros seis meses, nomeou mais pessoas do que governos anteriores, nomeadamente do que o Governo do PS», afirmou José Junqueiro, reagindo à divulgação do número de nomeações no site do executivo.

 

Mas o Governo diz que  das 1682 nomeações, 962 são reconduções – ou seja 77%.

 

É uma guerra de números, de percentagens, de comparações. Apenas uma coisa fica clara – os boys do PS estão a ser substituídos pelos do PSD. Gente do PSD vai ganhar fortunas em empresas públicas – Catroga tem a falta de senso de se comparar a Cristiano Ronaldo. É uma comparação ridícula – Cristiano Ronaldo está entre os melhores do mundo na sua actividade – tem Catroga a veleidade de supor um dos melhores gestores do mundo?

 

Em suma, estamos perante um cenário em que a justiça social não entra. Entre esta gente que se alterna no poder e nos lugares principescamente remunerados e os do tempo em que vivíamos sob uma ditadura, só há uma diferença – estes indivíduos são mais despudorados e enriquecem mais depressa.

 

Em Abril de 1974, os militares do MFA, e o coronel Carlos de Matos Gomes foi um deles, devolveram-nos as liberdades fundamentais e, com elas,  a esperança numa sociedade mais justa. Durante o PREC, uma líder de um partido de esquerda disse «A Liberdade não se come!». É verdade. É muito importante podermos exprimir livremente o que pensamos – mas sem justiça social não há verdadeira liberdade.

 

E Democracia muito menos.

 

 

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