UM CAFÉ NA INTERNET – Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 42 – Terra de Babel: a batalha das LV3. Por Manuela Degerine.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

          O português, que temos o privilégio de falar como língua materna, abre portas da União Europeia, do Brasil, da África e pode mesmo, não nos esqueçamos, servir de etapa na (rude) marcha para a China… Graças à crescente influência dos países e territórios lusófonos, o Português poderá manter-se internacionalmente no ensino, ao contrário do Alemão, ao contrário do Italiano… A par do Russo, do Árabe, do Francês e do Japonês.


          Em França a terceira língua começa a ser estudada no antepenúltimo ano do ensino secundário. Todos os alunos são francófonos, quase todos estudaram Espanhol, têm uma experiência linguística que lhes permite avançar rapidamente por conseguinte, passados três anos, sem terem posto os pés num país lusófono, conseguem falar português quase sem erros nem sotaque. É uma vantagem de que não pode valer-se a maioria das LV3 concorrentes.


        Sim, é verdade… Por mais estranho que pareça aos leitores portugueses, há concorrência entre as línguas vivas no ensino francês. As possibilidades de escolha são vastas porém, feitas as opções, o máximo que cada aluno estuda são três – e cada uma quer ser escolhida. Quantos mais alunos houver, melhor o acolhimento da administração, os alunos beneficiarão de horários adaptados e os professores de uma vida profissional simplificada. (Por ter poucos alunos no meu sector, cheguei a trabalhar em seis escolas… Durante dois anos.)


        O pormenor não escapou a ninguém: a língua é inseparável do poder. Quem conhece bem a língua materna, quem é capaz de se exprimir com rigor e à-vontade, tem uma grande vantagem no confronto com locutores menos exímios. E quem domina militarmente, economicamente, cientificamente, acaba sempre por impor a sua língua materna. O império romano impôs o latim. O nosso império quinhentista impôs o português. Os americanos impuseram o inglês no pós-guerra. No futuro, veremos… (Também já aconteceu os vencidos imporem a sua língua e cultura: o fenómeno grego no império romano. Muito raro, digamos; mas não seria mau para nós, europeus, se os americanos repetissem a pirueta.)


O ensino da nossa língua no estrangeiro, tal como o ensino de línguas estrangeiras no nosso país, serão factores essenciais da interacção dos portugueses na aldeia planetária. E em particular da nossa habilidade para compreender, vender, inovar, reagir… Por conseguinte, em vez de sofrermos a política linguística dos outros, pensemos de maneira aprofundada qual a estratégia que melhor servirá a cultura e a economia portuguesas. 

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