Mariano Rajoy, o novo Presidente do Governo espanhol, tem estado constantemente a tentar antecipar-se aos mercados ao anunciar medidas de austeridade de grande envergadura – aqui, a 14 de Janeiro de 2012 em Málaga. REUTERS/JON NAZCA
Correspondência – MADRID O governo a que presido sabe o que deve fazer para melhorar a reputação da Espanha, crescer e recuperar ” emprego” declarou o novo Primeiro Ministro do governo de Espanha, o conservador Mariano Rajoy, sábado, 14 de Janeiro, na Convenção de seu partido em Málaga.
E, depois de Zapatero, Rajoy:
A perda, na noite anterior, do duplo A, imposto pela agência de rating Standard and Poor’s, dois anos depois de ter perdido o seu triplo A, não foi nada do agrado de Rajoy. Isto, tanto mais quanto ele tem estado constantemente, desde 20 de Dezembro de 2011, a tentar antecipar-se aos mercados quando anunciou medidas de grande austeridade e as reformas de emergência.
Mais geralmente, uma certa incompreensão acolheu em Espanha, a degradação da notação do país de dois níveis AA- (alta qualidade) para uma (qualidade média superior).
A agência americana já avisou que poderia degradar novamente a notação espanhola se retardassem ” a reforma do mercado de trabalho”, tal como “outras reformas em sectores necessários para “ promover ” o crescimento”.
“Haverá reformas e a primeira será a do mercado de trabalho, “(…) não porque alguns o exigem, mas porque é necessário criar ” emprego” respondeu Rajoy, que já deu até 15 de Janeiro, aos sindicatos e aos patrões para começarem a trabalhar num projecto comum de reforma do mercado de trabalho, caso contrário o governo legislaria sem a contribuição dos parceiros.
“Quando a degradação ocorre simultaneamente em muitos países, esse facto leva a que ela diga muito pouco da situação de cada um deles, mas diz sobretudo sobre o problema global da zona euro” sublinha o economista Rafael Myro, Professor da Universidade Complutense de Madrid, que descreveu como “desleal” a decisão da S & P.
Para além destes comentários, a degradação não provocou grandes reacções. “Esta degradação não deve “ ter ” consequências negativas”, estima Rafael Pampillon, economista da IE Business School, que recorda que “o prémio de risco diminuiu muito nestes últimos tempos”.
Este economista pensa mesmo que até poderia ter efeitos positivos: “a degradação da notação vai “ dar uma maior legitimidade e autoridade ao governo face às regiões, aos banqueiros, aos sindicatos e ao patronato, para levar o mais depressa possível e em profundidade as reformas necessárias à economia espanhola”
“O governo de Portugal, cuja notação passa de BBB- ( qualidade média inferior) a BB (altamente especulativo ou no calão económico “título de crédito pobre”), considera igualmente “infundada” a notação de S & P e “uma série de incoerências” nas suas conclusões.
A “ Standard & Poor’s parece ” ter ” substituído a sua análise individualizada por país pela análise sistemática com base na zona euro, de que decorrem conclusões que não reflectem adequadamente as realidades nacionais” criticou o Ministério das Finanças português.
E relembra que ” existe um amplo consenso político” sobre o programa de austeridade português e que o “as estimativas sobre o produto interno bruto de 2011 indicam uma recessão menor do que a esperada.”
Portugal, que beneficiou de um empréstimo de 78 mil milhões de euros na Primavera e no âmbito do plano de emergência de 2011, também não se comoveu mais com a notação da S & P, e o país já tinha sido classificado entre os países de títulos de crédito com a notação de bons para especulação, pelas agências Moody’s e Fitch.
No entanto, os economistas temem que o acesso e o custo do crédito se tornem ainda mais complicados, o que pode ameaçar o plano do governo para a redução do défice e obriga-lo a tomar novas medidas de austeridade. E isto travará sobretudo a recuperação económica.
Sandrine Morel, Le Monde


