No El País de sábado, dia 21 de Janeiro, aparece uma notícia na primeira página que diz que Sarkozy planeia retirar do Afeganistão depois da morte de quatro soldados franceses, na província de Kapisa, na base militar de Gwam, no oriente do país. Os quatro soldados franceses, que se encontravam desarmados, foram mortos por um soldado do exército afegão, que estava a receber treino. Mais quinze ficaram feridos, oito com gravidade.
Foi colocada a hipótese de que se trataria de um talibã infiltrado no exército afegão, mas foi feito o reparo de que têm sucedido incidentes idênticos a este, que já custaram a vida a pelo menos 58 militares do ISAF (International Security Assistance Force, força da NATO que se encontra há 10 anos no Afeganistão), em 35 incidentes deste tipo reconhecidos., que representarão seis por cento das baixas da coligação. Há informações de que a motivação na origem destes incidentes consiste sobretudo na má vontade e desconfiança que predomina entre as forças estrangeiras e os afegãos. Fala-se mesmo num desprezo profundo entre as duas partes. O caso ocorrido há cerca de duas semanas, da divulgação de um vídeo que mostra fuzileiros navais urinando sobre cadáveres de combatentes talibãs mortos terá contribuído fortemente para um acirrar dos ânimos.
Entretanto prosseguem contactos entre os EUA e os talibãs, com o apoio da Arábia Saudita e da Tunísia. Estes dois países têm grande influência entre os sunitas, o mesmo ramo do islamismo a que pertencem os talibãs. Estes entretanto abriram um escritório no Catar, país aliado dos EUA. O grande obstáculo às negociações parece ser a posição do presidente Karzai, que declara apoiar o diálogo, mas pretende que este se desenvolve de modo a que possa continuar no poder a seguir à conclusão de um eventual processo de paz.
Obama planeia a saída do Afeganistão até 2014. Mas este ano há eleições nos EUA, e Mitt Romney, um dos candidatos à nomeação pelo partido republicano, e que até há pouco se apresentava como o principal candidato, opõe-se a qualquer diálogo com os talibãs, defendendo mesmo que devem ser abatidos onde forem encontrados. É duvidoso que Newt Gringrich, que agora aparece como favorito á nomeação, tenha melhores intenções. Estas disposições dos candidatos a candidato também não parecem favorecer a paz. E Obama já mostrou que muda as suas atitudes conforme o que lhe parece poder melhorar a sua imagem junto do eleitorado.

