PÉROLAS DA MÚSICA PORTUGUESA VOTADAS AO OSTRACISMO – “Para não dizer que não falei de flores” – por Àlvaro José ferreira

 

 

 

Ouça! Ouça!… Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente

 incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da ‘playlist’ da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»

 

Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida ‘playlist’ está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos ‘ad nauseam’.

 

O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado “serviço público de rádio” que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.

 

Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.

 

 

 

Para Não Dizer que Não Falei de Flores

 

Letra e música: Geraldo Vandré

Intérprete: Teresa Paula Brito* (in EP “Para Não Dizer que Não Falei de Flores”, Riso e Ritmo, 1968; CD “Teresa Paula Brito”, col. Clássicos da Renascença, vol. 61, 2000) [>> YouTube]

Versão original: Geraldo Vandré (in single “Para Não Dizer que Não Falei de Flores / Se a Tristeza Chegar”, Som Maior, 1968)

 

 

Caminhando e cantando e seguindo a canção,

Somos todos iguais, braços dados ou não,

Nas escolas, nas ruas, campos, construções,

Caminhando e cantando e seguindo a canção.

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber!

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

 

Pelos campos há fome em grandes plantações,

Pelas ruas marchando indecisos cordões;

Ainda fazem da flor seu mais forte refrão

E acreditam nas flores vencendo o canhão.

 

Há soldados armados, amados ou não,

Quase todos perdidos de armas na mão;

Nos quartéis lhes ensinam antigas lições

De morrer pela pátria e viver sem razões.

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber!

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

 

Os amores na mente, as flores no chão,

A certeza na frente, a história na mão;

Aprendendo e ensinando uma nova lição:

Caminhando e cantando e seguindo a canção.

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber!

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

 

 

* Conjunto de Shegundo Galarza

URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teresa_Paula_Brito

http://bissaide.blogspot.com/2006/03/voz-esquecida-de-teresa-paula-brito.html

http://guedelhudos.blogspot.com/search/label/Teresa%20Paula%20Brito

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