LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA – 35 – por Raúl Iturra

 

(Continuação)

 

Bronislaw Malinowski, Polaco – Austríaco, refunda a Antropologia Britânica, interessa-se pelas formas de troca de povos sem mercado e, antes ainda, pelas formas de organizar a reprodução em grupos sociais não europeus, ao escrever a sua tese doutoral em Antropologia em Londres, em 1913, sobre The Family Among the Australian Aborigines[1], certo de que era uma família monogâmica, nuclear e regida pela lei que governava a Melanésia, a da Coroa Britânica. Em procura de prova certa, compara – o método que cria – estuda um outro, denominado The Natives of Mailu, de 1915[2]; em ambos os livros fala de pais e filhos, rituais de iniciação e, especialmente, a autoridade pater famílias, no seu ver, aí existente.

 

Era a época em que existia a ideia do mundo estar a mudar, assim como as formas diferentes ou semelhantes do acasalamento para a reprodução humana – conceito criado e usado por Malinowski pela primeira vez, e, infelizmente, usado sem citação até hoje. O mundo começou a mudar, o Rei da nova Alemanha, declara a guerra, Malinowski é um inimigo e é transferido para fazer trabalho de campo na Austrália. A sua surpresa é grande ao reparar que a família Australiana – na época em que nenhuma família escapava à análise feita por Durkheim, Freud ou pelos alemães como Thurnwald no Estreito de Torres, Boas no Canadá, os Ingleses Haddon e Seligman, mais tarde Gregory Bateson entre os Iatmul da Nova Zelândia, Reo Fortune entre os Dobu Kiriwina, Raymond Firth com os seus parentes maori da Nova Zelândia, Ruth Bennedict entre os Japoneses e entre os índio Pueblo do México, Margareth Mead primeiro entre os Dobu e posteriormente entre os Mundugumor e Arapesh da Polinésia, todo o mundo corre para ver como é que era e como vai deixar de ser – encontra-se de uma forma muito diferente daquilo que se tinha falado.

 

O seu primeiro objectivo, foi tentar entender se era possível funcionar de forma económica sem mercado, ideia retirada do seu Mestre Marcel Maus e do mestre do seu Mestre, Émile Durkheim, que mais tarde tiveram que reconhecer que não existia grupo social sem troca, como refiro no meu livro de 2002 e no de a Mais-valia na Reciprocidade – publicado em 2008 -, esse conceito Freudiano de 1906 que refere a troca de amamentar e de carinho entre a criança e a sua mãe, até à idade dos seis meses, que Melanie Klein analisou, como o afirmo anteriormente. Um conceito emotivo e romântico, que Malinowski retira dos textos de Freud de 1906 e de 1913 e aplica às relações de mercado como um dar para receber e devolver, como a mãe que dá o leite, o bebé recebe e em troca, dá carinho e ternura.[3]

 

(Continua)

 

 

[1] Malinowski, Bronislaw, 1913, sob a orientação do finlandês Edward Westermack, Professor na Universidade de Londres, que procurava organizar um largo conhecimento sobre as formas matrimoniais do mundo.

[2] Malinowski, Bronislaw, publica ambos os livros na Routledge and Kegan Paul, hoje textos inexistentes, excepto na colecção completa que a Routledge tem preparado das obras todas, que são mais do que cem textos, pelo que o Website é importante: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Bronislaw+Malinowski+Family+Australian+Aborigines&btnG=Pesquisar&meta=

[3] Malinowski, Bronislaw, 1922: The Argonauts of Southern Pacific, Routledge and Kegan Paul, website para debate e definer conceitos: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Bronislaw+Malinowski+The+Argonauts+of+Southern+Pacific&btnG=Pesquisar&meta=

 

 

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