agenda cultural de 13 a 19 de Fevereiro de 2012

 

 

 

por Rui Oliveira

 

 

 

   Caro leitor, o contraste é evidente com a semana anterior, de tal modo que decidimos chamar a atenção para eventos e iniciativas menos comuns, mas interessantes e meritórias.

 

 

 

 

   1. Como diz o programa da Fundação, “ a passagem de Alfred Brendel promete ser um dos momentos mais marcantes da temporada. Agora que se reformou da sua carreira de concertista, o músico visita-nos na condição de conferencista…”.

   É pois isso o que sucederá no Sábado, 18 de Fevereiro no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 17h30, quando Brendel proferir a sua conferência intitulada “Does classical music have to be entirely serious ?” (Tem a música clássica que ser completamente séria ?), pergunta que, baseada na sua larga experiência de pianista, só pode ser vista como uma provocação retórica para, através de inúmeros exemplos práticos, tentar desconstruir essa idéia de uma seriedade “obrigatória” e assim demonstrar o papel fundamental do humor, da ironia em obras-primas da história da música (consta que se socorrerá do piano em peças de mestres como Haydn, Beethoven ou Ligeti) – sem o recurso a palavras, gestos ou encenações !   É dele a frase : “To sit down and start Haydn’s last C major sonata with a tortured look is even worse than to embark on the so-called Moonlight Sonata with a cheerful smile” ou seja “Sentar-se e atacar a Sonata em Dó maior de Haydn com um ar amargurado é pior ainda do que abordar a chamada Sonata ao Luar com um sorriso prazenteiro” !.

 

 

 

   No dia seguinte Domingo, 19 de Fevereiro, às 16h, Alfred Brendel dirigirá uma Masterclass sobre o Quarteto para Cordas nº 14 A Morte da Donzela de Schubert, ensaiando-o, na presença do público, com a colaboração do Quarteto Casals.

   Mais tarde, às 19h, o mesmo Quarteto Casals, uma premiada formação espanhola (1ºs Prémios do Concurso Internacional de Londres 2000 e do Concurso Johannes Brahms 2002) composta por  Vera Martínez Mehner  violino, Abel Tomàs  violino, Jonathan Brown  viola e Arnau Tomàs  violoncelo, tocará integralmente esse  Quarteto para Cordas nº 14 em Ré menor “A Morte da Donzela”, D 810 de Franz Schubert.

 

Este agrupamento no Festival de Música de Alcobaça em 2010

 

 

 

 

O Quarteto A Morte e a Donzela integral pelo Quarteto Hagen

 

 

 

   2. No Centro Cultural de Belém também o fim-de-semana será interessante pois teremos :

 

   Na Sexta 17 de Fevereiro (repetindo-se no Sábado 18), às 21h no Pequeno Auditório do CCB ocorrerá uma jornada meritória de recuperação do património musical português com a apresentação “em estreia moderna mundial” pelo grupo Divino Sospiro (residente no CCB) da oratória A Morte de Abel de Pedro António Avondano, um dos músicos mais reputados e influentes na Lisboa pós-terramoto.

   A oratória foi escrita, provavelmente, na década de 1770 para ser apresentada no Teatro da Ajuda à “Assembleia das Nações Estrangeiras”, o clube dos estrangeiros fundado pelo próprio Avondano no qual foram promovidos os primeiros concertos públicos na cidade de Lisboa e surge aqui numa edição crítica baseada na única cópia manuscrita conhecida, conservada na Biblioteca Estatal de Berlim/Património Cultural Prussiano.

   Interpretam A Morte de Abel os cantores Emma Kirkby  Eva, Zsuzsi Tóth  Abel, Sandra Medeiros  Caim, David Hansen  Anjo e Ivan Ludlow  Adão.

 

O Divino Sospiro tocando uma Sinfonia de Avondano na capela do Paço da Bemposta em 2009

 

 

   Antes os frequentadores do concerto terão acesso ao CD do Divino Sospiro “1700, The Century of the Portuguese” e, às 19h30, a uma palestra com Manuel Carlos Brito e Iskrena Yordanova sobre “A Morte de Abel e a oratória em Portugal”.

 

   No Domingo 19 de Fevereiro, a Orquestra Metropolitana de Lisboa (dirigida por Gilbert Varga) com a colaboração do jóvem violinista-prodígio russo Eugene Ugorski aproximar-nos-á da actualidade num programa variado que incluirá :

 

      Ruth Crawford Seeger  Andante para cordas    

      Samuel Barber  Concerto para violino e orquestra, op. 14  

      Franz Joseph Haydn  Sinfonia n.º 97, em Dó maior, Hob.I:97  

      Zoltán Kodály  Danças de Galánta     

 

   Este concerto, onde se passará de “um estudo sobre as dissonâncias e as intensidades, nas cordas da orquestra” da compositora norte-americana Ruth Crawford à peça lírica de Samuel Barber, o seu único concerto dedicado ao violino e, depois do intervalo, ao estilo clássico próprio das sinfonias de Haydn e à inspiração nacionalista do húngaro Kodály, terá lugar no Grande Auditório do CCB, às 17h.

 

Não havendo registo das peças do concerto, eis Ugorski tocando Tchaikovsky no Miami International Piano Festival em 2009

 

 

 

   3. O Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Gulbenkian “explode” em 17 de Fevereiro com três exposições simultâneas, as duas primeiras pretendendo dar um enfoque em 2012 à arte contemporânea brasileira, dado que este ano foi consignado pelos dois países como o “ano Portugal-Brasil”.

 

   3.1  A exposição Quatro estações” de Beatriz Milhazes  (com curadoria de Isabel Carlos) dispôe-se no  Hall, Sala A e Nave do CAM e resulta de uma parceria com a Fundação Beyeler de Basel (Suíça).  Para além de apresentar pintura e colagem, bem como um mobile, Quatro estações incluirá um trabalho em vinil criado especificamente para a nave do CAM dando a ver uma outra faceta do “vocabulário exuberante e colorido da artista que a tornaram uma artista incontornável” (diz o programa).

   A exposição permanece até 13 de Maio de 2012. 

 

   3.2  A exposição  Frutos Estranhos” de Rosângela Rennó  tem também curadoria de Isabel Carlos e situa-se na Galeria 1 e Sala B do CAM .

Esse título, o de uma série de obras de 2006 de Rosângela Rennó,  acabou também por ser o título da exposição antológica que cobre mais de duas décadas de trabalho (1991-2012) da artista, nascida em Belo Horizonte em 1962, e é “uma boa síntese da atitude de Rennó frente à fotografia e de um modo mais amplo perante o universo das imagens técnicas.

   A artista não fotografa,…  o  seu acto artístico é o de uma recolectora de imagens de diversas proveniências, desde álbuns de família a fotografias de jornais e de agências de informação, passando por obituários, fotos de identificação e de arquivos cadastrais ou ainda memórias turísticas.  Conceptual e politicamente empenhada, Rennó expôe-nos vítimas de actos de violência e de exclusão social, desde presidiários a simples anónimos, mas denuncia também a fotografia como acto de manipulação” (diz o programa).

   Na série A última foto (2006), a artista força a reflexão sobre as implicações da passagem da fotografia analógica para a fotografia digital, mas também as questões de autoria e reprodução no mundo contemporâneo. Encerra a 6 de Maio de 2012. 

 

 

   3.2  A KILLS B – A mata B”  é o título da exposição (com curadoria de Rita Fabiana) que o colectivo de artistas A kills B (fundado em 2007 por Hugo Canoilas e João Ferro Martins) concebeu para dois espaços do CAM.

   A Sala Polivalente sofre um esvaziamento progressivo dos elementos que a definem enquanto sala de espectáculos, para receber Ifigénia e Isaac, duas narrativas fundadoras da cultura ocidental – o sacrifício de Ifigénia (Eurípedes) e de Isaac (Antigo Testamento) – concebendo um objecto que se cumpre, num primeiro momento, através de um dispositivo cénico e de um acontecimento performativo que reúne em cena quatro actores, quatro cantores e doze instrumentistas.

   A Sala de Exposições Temporárias apresenta Cena, uma instalação que se constrói no diálogo permanente com o dispositivo cénico de Ifigénia e Isaac, questionando simultaneamente o estatuto performativo deste espaço museológico e o potencial perceptivo espectador.   Permanece até 6 de Maio 2012.  

 

 

 

   4. No Sábado 18 de Fevereiro realiza-se no Auditório do Museu do Oriente, às 21h30, um recital de violino intitulado O Encanto da Música de Rabindranath Tagore onde Hans Vermeersch, músico/compositor belga, executante de violino, viola e viola d’amore e, em particular, especialista em música do subcontinente indiano dos séculos XIX e XX e em música europeia de temas indianos, mostrará a sua mestria, reconhecida mundialmente, sobretudo nas suas traduções, arranjos e interpretação de composições de Rabindranath Tagore (1861-1941) e de Qazi Nazrul’s (1899-1976).

 

 

 

 

   5. Curiosamente o tema da Matemática suscita ciclos de conferências em entidades diferentes, uma de âmbito essencialmente público, outra de matriz universitária. Assim :

 

 

   A Fundação Calouste Gulbenkian, pelo seu Serviço de Ciência, dá início ao Ciclo de Conferências 2012 “Matemática : A Ciência da Natureza através da palestra “Trazer o céu para a terra” pronunciada por Henrique Leitão (Doutor em Física Teórica da Universidade de Lisboa) na Quarta 15 de Fevereiro às 18h no Auditório 2 da Fundação, a qual será video-difundida.

   Diz o orador : «A contemplação do céu e dos astros sempre fascinou a humanidade. Mas quando se quer fazer um estudo mais concreto das posições e dos movimentos das estrelas e dos planetas imediatamente se descobre que isso não é simples: os astros parecem deslocar-se numa superfície esférica, uma abóbada por cima das nossas cabeças. Para se poder passar da simples contemplação ao estudo sério dos astros foi preciso que os matemáticos concebessem um modo de, na terra, se conseguir estudar rigorosamente o céu. Ou seja, um processo matemático de trazer o céu para a terra».  

 

 

   No dia seguinte, Quinta 16 de Fevereiro, às 18h30, tem lugar a 3ª conferência do ciclo (já aqui divulgado) “Matemática sem limites 2012” intitulada “Órbitas Planetárias em Papel Vincado” por António Bivar (Doutor pela Universidade de Paris VI e ex-Director do Depart. Matemática da FCUL). Este ciclo aberto de palestras do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa decorre na sua sala 6.1.36.

   O palestrante resume-a assim : «Procurando inspiração numa famosa aula do físico Richard Feynman, dar-se-á ideia de como os métodos da geometria euclidiana elementar puderam ser utilizados por Newton para concluir que as leis de Kepler, em particular a elipticidade das órbitas planetárias, podem ser deduzidas de princípios gerais da Mecânica Newtoniana. O método seguido invocará propriedades das elipses que se traduzem numa construção passível de ser efectuada através de sucessivos vincos numa folha de papel, que de certa maneira “substituem” a resolução analítica de uma equação diferencial.»

 

 

 

 

Cordas sobresselentes

 

 

 

   A 13 de Fevereiro, num Foyer Aberto do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, no âmbito das Actividades do Estúdio de Ópera, João Paulo Santos ao piano apresenta de João Domingos Bomtempo  A paz da Europa e de João Guilherme Daddi  O triunfo da virtude (extractos) cantados por Marina Pacheco soprano, Luísa Tavares meio-soprano, Carlos Monteiro tenor e Rui Baeta baixo.  A entrada é livre.

 

   Também a 13 de Fevereiro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h e com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, o duo Sérgio Barrenechea, flauta e Lúcia Barrenechea, piano convida Hugo Pilger, violoncelo para um programa ainda não divulgado.  (entrada livre)

 

      A 13 de Fevereiro, às 19h, o ciclo Cinema do Mundo traz ao Auditório do Institut Français de Portugal um filme do realizador francês de etnia cigana Tony Gatif intitulado Transylvania (2006), presente no encerramento do Festival  de Cannes 2006, com Asia Argento, Amira Casar, Birol Ünel, Marco Castoldi, Rares Budelaina, Alexandra Beaujard, Bea Pálya, entre outros.

   Sinopse: “Zingarina, é rebelde. Ela parte de França para a Transilvânia com a sua amiga Marie, à procura do namorado que a abandonou grávida. Marie não larga Zingarina: ela sabe que esta é capaz de tudo. É na grande festa de Hérode, cerimónia surrealista, que Zingarina encontra o seu homem na loucura e embriaguez da folia. Ela perseguiu uma quimera mas em breve será a magia do país que a vai fascinar…”

 

 

 

   A 14 de Fevereiro, num Foyer Aberto do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, o Programa de São Valentim leva o Coro do Teatro Nacional de São Carlos sob a direcção musical de Giovanni Andreoli e com a participação ao piano de Kodo Yamagishi a executar obras de Jacques Offenbach, Giuseppe Verdi, Charles Gounod e Leonard Bernstein.

   O concerto de entrada livre será comentado por Jorge Rodrigues.

 

   Também a 14 de Fevereiro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30 e com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, haverá um recital onde se ouvirão obras do acordeonista Michel de Roubaix , acompanhado de Rogério Pires, guitarra, Gil Alves, flauta, Jorge A. Silva, baixo e piano com o apoio de Catarina Pé Curto, montagem de vídeo, entre as quais Cadernos de Viagens nº 1, Histórias de Pontes, Relax, Canto da Chuva, Dans mon Quartie, Os Novos Amantes do Tejo e em vídeo  Acordeão Musette, Fado Paris-Lisboa, Trânsito, Porto Ibérico, Acordeão Partido.

 

   Ainda a 14 de Fevereiro, na Sala Principal do Teatro da Trindade, às 22h, terá lugar um concerto da banda Os Lábios alusivo ao dia de São Valentim onde haverá, entre convidados anunciados, o produtor Miguel Angelo, o guitarrista Mário Andrade, VJ Somsen, entre outros.

 

 

   Entretanto, no Institut Français de Portugal, haverá a 14 de Fevereiro (como em todas as segundas Terças do mês), das 19h30 às 21h, uma sessão em francês do Café Philo, um debate colectivo sobre questões filosóficas e problemáticas da sociedade contemporânea com apresentação de obras filosóficas e leitura de extractos. Hoje o tema será : “Pouvons-nous nous passer du mensonge ?”  (entrada livre)

 

   Quase ao mesmo tempo, no Instituto Cervantes, às 18h30, será exibido o filme de Carlos Saura (dentro dum ciclo sobre o seu cinema) de 1990 ¡Ay Carmela! (Prémio Goya 1990) com Carmen Maura, Andrés Pajares e Gabino Diego, entre outros, uma tragicomedia musical baseada na obra de teatro homónima de José Sanchís Sinisterra, situada na Espanha de 1938, “que narra a história dos artistas Carmela e Paulino a quem o Comando Republicano atribui a missão de entreter as tropas na primeira linha da frente com o seu espectáculo ”Carmela e Paulino, varietés ao fino” mas que, fartos de passar fome, decidem regressar a Valência mas se extraviam no caminho…”

 

   A 14 de Fevereiro, às 22h30 no Ondajazz, decidiu celebrar-se a noite de São Valentim com um convite feito à cantora Katia Leonardo para que partilhe a sua paixão pela música, acompanhada por Diogo Vida ao piano, Massimo Cavalli no contrabaixo e Jorge Moniz na bateria. Numa segunda parte da noite haverá jam session com quem quiser participar.

 

   A 14 de Fevereiro, às 22h, o norte-americano Pat Grossi  traz pela primeira vez a Portugal o seu projecto Active Child para um concerto único no Lux Frágil.

   Iniciado como um projecto de estúdio com um EP de estreia, “Curtis Lane” (2010) com sucesso, o seu álbum de estreia, “You Are All I See“, editado em Agosto deste ano, foi um passo em frente na carreira dos Active Child, com uma sonoridade mais abrangente  que a “Pitchfork”, conhecida revista na net de Chicago, p.ex., considera “um  som da banda …(que) parece à frente do seu tempo”.

 

   Também a 14 de Fevereiro, no Coliseu dos Recreios, às 21h, mas desta vez numa visita largamente repetida, os Simple Minds trazem a Portugal o seu novo espectáculo 5X5 Live, onde vão tocar um alinhamento totalmente novo dedicado na íntegra aos influentes e aclamados cinco primeiros discos da sua carreira durante o período prolífico dos Simple Minds entre 1979 e 1982, um pedido aparentemente feito por muitos dos seus fãs.

   Ouvir-se-ão assim desde “Life in a Day“, “Real to Real Cacophony“, “Empires and Dance“, “Sons and Fascination/Sister Feelings Calling” a “New Gold Dream (81, 82, 83, 84)“, que celebra o 30º aniversário no próximo ano.

 

   Dois tipos de conferências suscitam interesse neste 14 de Fevereiro.

 

   No Museu Nacional de Arqueologia, às 18h, o 7º ciclo ARQUEOLOGIA e ANTROPOLOGIA  Territórios de Fronteira… compreende as seguintes conferências (de acesso livre) :

   “Uma história sobre a evolução da diferença contada por um micróbio amigo do Homem” por José Paulo Sampaio (Centro de Recursos Microbiológicos, UNL);

   “Importância do sexo na evolução. Uma digressão sobre a teoria de selecção sexual de Darwin e as suas consequências” por Paulo Gama Mota (Museu da Ciência, U.Coimbra);

   “Evolução Humana : as últimas descobertas” por Eugénia Cunha (Centro de Ciências Forenses, U.Coimbra);

   “Origem, evolução e primeiras funções adaptativas da linguagem” por António Bracinha Vieira (Prof. De Antropologia, FCSH/UNL).

 

   Na Sala dos Actos Grandes da Faculdade de Ciências Médicas, às 18h, a sessão III do ciclo comemorativo “A Colina de Sant’Ana e as Ciências Médicas” consta da conferência do Dr. António José Barros Veloso A Colina de Sant’Ana, a Assistência Hospitalar e o Ensino Médico, que terá como comentadores a Doutora Rita Garnel e Dr. Gonçalo Cordeiro Ferreira.

 

 

   A 15 de Fevereiro, a Antena 2 nos seus Concertos Antena 2 (de entrada livre) oferece na Fundação Portuguesa das Comunicações, às 19h, um concerto pelo Trio Piacere constituido pelo português Nuno Silva no clarinete, pela francesa Catherine Strynckx no violoncelo, ambos premiados em concursos nacionais e internacionais e ainda pela italiana Daniela Ignazzitto no piano. Do programa constam de Johannes Brahms  Trio Op.114 em lá menor, de Ludwig van Beethoven  Trio Op.11 em si bemol maior e de Nino Rota  Trio.

 

   Também a 15 de Fevereiro, às 21h na Aula Magna da Universidade de Lisboa a cantora finlandesa Tarja Turunen, ex-vocalista dos Nigthwish com formação no canto lírico e música de câmara, irá divulgar o seu último álbum “What Lies Beneath” (2011).

 

 

 

   Ainda a 15 de Fevereiro, às 22h no Maria Matos Teatro Municipal, o guitarrista português Norberto Lobo (guitarra acústica de 6 e 12 cordas, guitarra eléctrica), após os seus trabalhos Mudar de Bina (2007) e Fala Mansa (2011), vem divulgar, com a cumplicidade ideal de João Lobo bateria, o seu novo disco. A obra de um dos mais reinventivos intérpretes nacionais anuncia-se como “um projeto com movimentos amplos entre o deleite da canção e a demanda do improviso, com referências diretas a mundos tão longínquos quanto a música indiana e brasileira, e onde obras máximas em duo como Mu de Don Cherry ou Interstellar Space de John Coltrane lhes vão dando guarida criativa”.  

 

Norberto Lobo actuando no Museu da Música em 2010

 

 

 

 

   No Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h de 16 de Fevereiro e às 19h de 17 de Fevereiro, a soprano canadiana Barbara Hannigan canta e dirige (como maestra a Orquestra Gulbenkian) um programa em torno de György Ligeti (1923-2006), um dos seus compositores favoritos, “como complementos da sua imensa arte e destreza” (como diz). O programa assim elaborado compreende pois :

 

      Gioacchino Rossini  Abertura La gazza ladra

      Wolfgang Amadeus Mozart  Três árias de concerto

      György Ligeti  Concert românesc

      Luigi Nono  Djamila Boupacha

      Igor Stravinsky  Circus polka: For a Young Elephant

      Dmitri Chostakovitch  Duas Peças para Octeto de Cordas, op. 11

      György Ligeti  Mysteries of the Macabre

 

Barbara Hannigan no Teatro do Chatelet em 2011 cantando e dirigindo Mistérios do Macabro de Ligeti

 

 

 

   Também a 16 de Fevereiro, na Sala Estúdio do Teatro da Trindade, estreia às 21h45 a peça “Fim ou Projecto frágil em estrutura suspensa”, uma dramaturgia de Tiago Vieira com encenação de Margarida Bento e interpretação de Carla Gomes, Margarida Barata, Rita Neves e Solange Freitas.

   Esta produção de “A Vara Teatro” permanece até 26 de Fevereiro e é introduzida pelo seguinte poema :

      “Mas estive mesmo a pesar no que vem a seguir a melancolia?

        Não deve vir nada, certo?

       Ou deve vir muita coisa…

       O que é que eu tenho mais para dizer?

       Ainda ontem estive a pensar no que tenho para dizer…”

 

   Neste dia há três eventos importantes  na área do jazz :

 

   Por um lado, Mário Laginha, Bernardo Moreira e Alexandre Frazão festejam a reabertura do Hot Clube de Portugal com a apresentação de “Mongrel“, um tributo à música do pianista e compositor Frédéric Chopin, em três concertos, de 16 a 18 de Fevereiro às 23h.

 

   Por outro, às 22h desse 16 de Fevereiro, na Recepção do Centro de Reuniões do Centro Cultural de Belém, em mais uma sessão Dose Dupla (de entrada livre), haverá a estreia de Jacinta que se adivinha um dos momentos altos neste já clássico ciclo de duetos, como uma noite de canções e interpretações notáveis, desde o jazz mais tradicional aos temas contemporâneos. A seu lado, em palco, está a jovem (e lírica) Michele Ribeiro, pianista e compositora brasileira natural de Curitiba.

 

 

 

   Ainda a 16 de Fevereiro, às 22h30 no Ondajazz, a cantora Selma Uamusse, com Daniel Lima teclados, Gonçalo Santos bateriaI, Augusto Macedo  baixo, Nuno Reis  trompete, Dan Hewson  piano e trombone e Marisa Gulli  percussões, apresenta o projecto “Tributo a Nina Simone”, onde explora o jazz e as influências da música espiritual e soul.

   O clima duma sessão deste tipo pode ser apreendido em :  http://www.youtube.com/watch?v=Kb_HiA5Bm4w&feature=related .

 

   No Grande Auditório do CCB, às 21h de 16 de Fevereiro (repetindo-se a 17 à mesma hora)o grupo português The Gift , composto por Sónia Tavares voz, John Gonçalves baixo, Miguel Ribeiro guitarra e Nuno Gonçalves (direcção artística), apresenta  “Primavera/Explode – mil cores possíveis” que contem (como dizem) “canções inspiradas na Primavera, escritas no Verão, gravadas no Outono e ouvidas em pleno Inverno…”

 

   Entretanto, no Coliseu dos Recreios, às 22h, em concerto adiado desde Outubro, regressa a Portugal  a banda de rock alternativo alemã nascida em 1994 Guano Apes para tocar, entre outros, temas do seu próximo álbum “Bel Air”.

 

   Também às 22h de 16 de Fevereiro, no nº49 da ZDB, um bar de apoio à Galeria, actua Joana Guerra, uma violoncelista que compôe para o seu instrument e a sua voz harmonias construidas sobre uma linha minimalista de acordes e em formato acústico.

 

 

 

   No MusicBox, a começar às 22h55, há concertos sucessivos de The Antic Groove, de Nuno Prata (o músico portuense autor do recente CD “Deve Haver”) e dos The Vanish Affair.

 

   No Institut Français de Portugal, às 19h30 de 16 de Fevereiro, no ciclo Cinema do Mundo é exibido o filme do realizador do Chade Mahamat-Saleh Haroun de 2006 Darratt (Prémio especial do Júri na Mostra de Veneza 2006) com Ali Barkai, Youssouf Djaoro, Abderamane Abakar, Djibril Ibrahim, Aziza Hisseine, Khayar Oumar Defallah, entre outros.

   Tema do filme : “Quais são as consequências da guerra civil no Chade? O desejo de justiça e de vingança. Daratt apresenta essa paisagem após a tempestade. A vida continua obstinadamente nos campos de ruínas e cinzas. Atim, jovem de 16 anos, recebe das mãos do avô uma arma para ir à procura do homem que matou o seu pai…”  (entrada livre)

 

 

 

   Por fim a 16 de Fevereiro, às 18h30, tem início na Livraria Bulhosa Campo Grande (nº 10B, loja 8) por iniciativa da Casa da América Latina em colaboração com o Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, UNL) e do Centro de Estudos Comparatistas (Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa), o Ciclo Grandes Escritores, sempre à quinta-feira na Livraria Bulhosa, que irá abordar os três primeiros vencedores hispano-americanos do Prémio Cervantes e os três primeiros vencedores brasileiros do Prémio Camões, terminando com um programa de homenagem a Jorge Amado, cujo centenário do nascimento é celebrado em 2012.

   Nesta sessão o vulto focado é João Cabral de Melo Neto (Prémio Camões 1990) que será apresentado por Clara Rowland (FL, UL) havendo leitura de textos do autor por Carolina Belo Matias.  

 

 

   A 17, 18 e 19 de Fevereiro, em vários espaços da Culturgest, decorre das 19 às 24 horas um microfestival da Forrest Fringe, sendo esta uma organização sem fins lucrativos e gerida por artistas que começou em 2007. Meia década depois, a sua programação no festival de Edimburgo tornou-se reconhecida enquanto espaço de experimentação, generosidade e aventura comunitária, sendo que muito do que de mais significativo, comovente e politicamente relevante tem passado pelo festival foi aí apresentado. Esperam os codirectores do Forest Fringe, Andy Field e Deborah Pearson que ele nos traga “um instantâneo da experimentação teatral contemporânea no Reino Unido, e que ao mesmo tempo nos inspire a ensaiar outras maneiras de produzir, apresentar e ver teatro”.

   Os espectadores poderão assistir a três espectáculos, bem como experimentar outras pequenas aventuras :  às 19h Abertura  Watch Me Fall de Action Hero ; às 20h Aventura ; às 21h30 Histórias – o público divide-se entre estes dois espectáculos : Like You Were Before de Deborah Pearson ou Hitch de Kieran Hurley ; 23h Conclusão Growing Old With You de Search Party.

   O programa em pormenor pode ver-se em: http://www.culturgest.pt/actual/16-forestfringe.html    

Breve descrição do microfestival Forest Fringe em Edimburgo

 

 

 

   Ainda a 17 de Fevereiro, no Ondajazz às 22h30, Massimo Cavalli no contrabaixo anima um Projecto Bebop onde, com Dan Hewson no piano, Desidério Lazaro no saxofone tenor, Moisés Fernandes no trompete e Joel Silva na bateria, se pretende manter o fascínio que a música Bebop exerce sobre as várias gerações de músicos e assim preservar esta herança.

                                

   Também a 17 de Fevereiro, às 23h na Galeria Zé dos Bois, a noite inicia-se com a apresentação do album de estreia Falaise  da dupla homónima recém formada Falaise, constituida por Hernâni Faustino  contrabaixo e Pedro Sousa  saxofone tenor, onde procuram criar uma linguagem musical feita através da pesquisa abstracta do som produzido pelos seus instrumentos onde (dizem) “as massas e sons texturais são esticadas ao limite do near silence e das ruidosas explosões que os instrumentos acústicos permitem”.

   Segue-se-lhes a actuação de Feltro (André Gonçalves)  electrónicas com Luís Desirat  bateria.

 

   Nesse 17 de Fevereiro, às 16h, Luís Raposo, recém demitido director do MNA, proferirá no Auditório 1, Torre B, da Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna, Lisboa), uma conferência de balanço sobre o Museu Nacional de Arqueologia intitulada “Percursos e Desafios de uma Casa Centenária”. A entrada é livre. 

 

 

   Neste 18 de Fevereiro, apenas às 21h no Teatro Nacional de São Carlos, no âmbito do Ciclo William Walton, a Orquestra Sinfónica Portuguesa (direcção musical deYordan Kamdzhalov) com a participação de Gerardo Ribeiro no violino, cumprirá um programa cuja segunda peça, dado ser uma das maior reconhecimento na obra do compositor inglês homenageado, é repetida face ao concerto da semana anterior :

      Richard Wagner  Tannnhäuser  (Abertura)

      William Walton  Concerto para viola e orquestra

      Antonín Dvorák  Sinfonia n.º 9, em Mi menor, op. 95 “Do Novo Mundo”

 

 

 

   A 19 de Fevereiro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 16h e com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, a jóvem pianista japonesa de 21 anos Yui Sakai, já premiada internacionalmente, tocará no seu concerto (de entrada livre) as seguintes peças : de Ludvig van Beethoven  Sonata em Mi bemol maior, Op. 27 Nº.1, de Frédéric Chopin  Barcarola, de Johannes Brahms  Variações sobre um tema de Paganini, Livro II e de F. Chopin  Sonata nº. 3, em Si menor, Op. 58.

 

 

   Por fim, neste Domingo 19 de Fevereiro, um filmes/documentário exibido em sessão única pode suscitar a curiosidade dos leitores. No Museu do Oriente, às 17h, a presença portuguesa em Malaca (relativamente curta 1611-1641) é analisada no documentário  A Terra do Padre de James Jacinto, com pesquisa e guião de Silvie Lai.

  Se em Malaca não sobreviveu quase nenhuma construção ou vestígio arquitectónico do período colonial português, persistem contudo sinais inconfundíveis desse período, profundamente enraizados numa pequena comunidade que se auto-denomina “portugueses de Malaca”, “kristang” ou “euroasiáticos portugueses”. A contínua presença de padres portugueses até à década de 90 do século XX ( Malaca esteve até então sob a alçada da diocese de Macau)  e o contacto regular com visitantes portugueses contribuíram para esse processo de sedimentação e assimilação cultural. Aspectos dessa influência encontram-se na sua língua, o kristang, crioulo de base portuguesa, nos apelidos portugueses e nos nomes das ruas do Bairro Português onde se concentra hoje a comunidade, nas tradições cristãs e ainda nas festas populares.

   Quais as possibilidades e condições de manutenção e transformação de uma cultura minoritária? E quais os limites do que se pode entender por identidade cultural? Estas são algumas das questões sobre as quais se pode reflectir a partir deste filme.

 

 

 

Leave a Reply