José Vilhena com mais um livro proibido deve ter sido o campeão nesta incómoda modalidade – “Marmelada”, o título é sugestivo. A ordem alfabética, ao chegar a Marx , atingiria também um ponto crítico e por isso cinco destes dez títulos se referem ao grande filósofo alemão. Henri Lefebvre, o humanista francês e Jean-Paul Sartre, viam também frequentemente os seus livros ser apreendidos pela policia política portuguesa. Santos Simões, professor e teórico de uma pedagogia mais voltada para as necessidades reais da sociedade contemporânea, homem conhecido pelos seus ideais democráticos, também não escapava ao crivo policial. E eis um argonauta na lista – Mário de Oliveira, o Padre Mário da Lixa que, já nessa altura se distinguia da amorfa e submissa massa clerical. Este livro, que a polícia distinguiu apreendendo-o, começava com estas palavras: «Nascido no meio de um pequeno Povo de Pobres e acolhido por ele como uma mensagem com sabor a boa nova, este livro não poderá agradar a toda a gente». E, de facto, embora tenha agradado à maioria, desagradou à crítica literária da António Maria Cardoso. Nunca se consegue agradar a todos.

