DIÁRIO DE BORDO, 13 de Fevereiro de 2012

Os acontecimentos na Grécia criam em nós alguma perplexidade. Algumas coisas são de sublinhar, logo à partida:

 

Não se pode deixar nenhum país atingir um grau de endividamento excessivo. Simplesmente, para obviar a esta situação, e aos problemas que dela derivam, torna-se necessário compreender como se chegou a um descalabro tão grande. Entre várias questões há uma que terá tido grande importância, a perda de confiança, e, em consequência, de solidariedade entre a banca. Os bancos suportavam-se uns aos outros, a partir de certa altura, deixaram de o fazer. Para isso contribuiu poderosamente a especulação com os chamados produtos financeiros, entre eles os famosos cds.

 

É espantoso que os estados, a união europeia, etc. não tenham intervindo, nem ao que parece façam tenções de intervir, para acabar com este estado de coisas. A este respeito fala-se da necessidade de deixar o mercado actuar, de certo modo à semelhança de como antigamente de falava da necessidade de respeitar a natureza. É claro que o mercado e a natureza são coisas distintas. O mercado é uma fantasia de ideólogos capitalistas que resolveram passar a chamar-se de economistas, procurando convencer-nos a todos de que estão a aplicar uma ciência exacta. A natureza essa realmente é anterior à sociedade humana, e tem de ser tratada com todo o cuidado, até porque não deixámos de lhe pertencer. Por isso, e não só, era obrigatório que quem detém o poder público tivesse intervido para meter os mercados, isto é, quem os controla, na ordem. Será que ainda vai a tempo?

 

Mais concretamente, o que se está a passar na Grécia faz-nos perguntar se daqui a seis meses não estaremos na mesma situação. O facto de aqui se estar a reagir mais pacificamente, ou talvez mais moderadamente, não nos vai evitar a bancarrota. O recente episódio da conversa particular entre o ministro das finanças Gaspar e o seu homólogo, que, segundo a versão oficial, não deveria ter sido divulgada, pode prestar-se a uma interpretação diferente. Ter-se-á pretendido, sob a capa de uma pretensa bisbilhotice, dar a entender à opinião pública portuguesa, que os alemães (que para muita gente são quem manda na Europa) estão dispostos a dar umas facilidades a Portugal. Para que efeito? Para que não nos revoltemos como os gregos? Para desmobilizar a manifestação da CGTP? Porque nos tomam por imbecis?

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