“As Idades do Mundo”: uma viagem pela História da Arte – por Álvaro José Ferreira

(publicado in A Nossa Rádio)

À direita: Francisco de Holanda, “O primeiro dia da criação do mundo: O caos e a criação da luz”, in De Aetatibus Mundi Imagines, 1545-1547, Biblioteca Nacional de Espanha, Madrid)

«Tomando como ponto de partida a obra-prima do pintor português Francisco de Holanda De Aetatibus Mundi Imagines, ou Imagens
das Idades do Mundo
, realizada no triénio 1545-1547, onde, numa linguagem totalmente inovadora e através de mais de centena e meia de ilustrações, se narra a história do mundo a partir do primeiro dia da Criação, concebemos uma série de doze programas que toma como denominação parte daquele título.

As características cíclicas da história da Humanidade, aliadas à permanente influência e contaminação de vários tipos de linguagens e de imagéticas, proporcionaram o eterno retorno às concepções do passado, nem que fosse apenas para as renegar, sendo os mesmos temas, por diversas vezes e ao longo dos tempos, retomados e apreendidos de diferentes formas pelos seus autores.

 

 Tal como afirma o filósofo francês Gilles Deleuze ao caracterizar a
cultura universal como “a civilização da imagem”, o tema principal
destas emissões será o da sua força e a poderosa capacidade de arrebatamento,
deleite ou, simplesmente, horror.

Privilegiando a música e a palavra que lhe está associada, abordaremos, ao longo dos próximos domingos, personalidades ímpares do génio artístico universal, as quais contribuíram, de forma indelével, para a renovação da imagem do mundo em diferentes momentos da História.» (Ana Mântua e João Chambers, in boletim de programação da Antena 2, Jan. 2012)

Saúda-se o surgimento na Antena 2 de mais uma série da autoria de Ana Mântua e João Chambers, que tão boa impressão e proveito já me haviam dado com “Divina Proporção” e “A Herança de Atena”. Tendo a direcção de Rui Pêgo e João Almeida eliminado da grelha praticamente todos os conteúdos culturais não musicais em que João Pereira Bastos vinha apostando (hoje não há uma rubrica de poesia, não há teatro radiofónico, não há um programa de História, não há um programa de Sociologia/Antropologia, etc., etc.) tudo o que apareça nas vertentes culturais e artísticas fora do estrito domínio da música é de louvar.

O que não se compreende é que um programa que tem uma forte componente de palavra, como “As Idades do Mundo”, tenha uma única passagem (domingos, 10:00-11:00). Será que a dupla Rui Pêgo / João Almeida ainda não percebeu que os programas de autor, particularmente os não (estritamente) musicais, devem passar, no mínimo, duas vezes, de preferência em quadrantes horários diferentes, de modo a chegaram ao máximo número de ouvintes possível?

 

 

 

 

Publicada por Álvaro José Ferreira em 12:26

 

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