
D’un temps
Quin singular camí
t’ha dut fins a l’indret
on ara
tragines fútils arguments,
paraules que no lliguen,
tòpics tronats, idees
de pa sucat amb oli?
Per explicar-ho
-funambulista insòlit-
faràs mil equilibris
i traçaràs camins entre impossibles
fins construir-te un món en què tot sigui
com dos-i-dos-fan-quatre,
axioma, principi irrefutable,
raó sense retop, més clar que l’aigua,
paradigma del tot,
sintaxi del no gaire…
Posa fil a l’agulla i apedaça
el teu món il·lusori.
Al capdavall es tracta
de tu mateix,
titella sense fils, ninot dansaire
que t’agafes com pots aquí i allà,
al bell mig d’un espai
i un temps que no són teus,
ben ignorant de tot:
del pas, del temps, del ritme, de la dansa…
Au, doncs, afanya’t,
perquè és tard i vol ploure…
I la pluja vindrà
com desperta el matí,
com arriba la nit, inexorables.
I els camps s’amararan de pluja bona,
com una melodia inacabable…
El record persistent
d’un temps en què tot era
on havia de ser: la mare a prop.
I el pare. Déu al Cel.
Tots els camins oberts, i el món en ordre.
Josep A. Vidal , Octubre 2008
De um tempo
Que singular caminho
te trouxe até ao lugar
onde agora
acumulas fúteis argumentos
palavras sem nexo
lugares comuns, ideias
que não valem um chavo?
Para o explicar,
– insólito funâmbulo –
farás mil e um equilíbrios
e traçarás caminhos entre impossíveis
até construíres um mundo onde tudo seja
como dois mais dois são quatro,
axioma, princípio irrefutável,
razão definitiva, mais clara do que água,
paradigma do todo,
sintaxe de quase nada…
Pega na agulha e cose a manta de retalhos
do teu ilusório mundo.
Afinal trata-se
de ti mesmo,
marioneta sem fios, títere bailarino,
que te amparas como podes aqui e acolá,
no meio de um espaço
e de um tempo que não são os teus,
ignorante de tudo:
do passo, do tempo, do ritmo, da dança…
Vamos lá, desperta,
Pois é tarde e o tempo ameaça chuva…
E a chuva virá
tal como nasce a aurora,
como chega a noite, inexoráveis.
E os campos ficarão empapadados de boa chuva,
como uma inacabável melodia…
A persistente memória
de um tempo que tudo estava
onde devia estar: a tua mãe por perto.
E teu pai. Deus no Céu.
Os caminhos abertos,
e o mundo em ordem.
(versão em português de Carlos Loures)

