ARTE, POESIA & VICE VERSA – Dorindo Carvalho e Josep Anton Vidal

Um Café na Internet

Arte, Poesia & Vice Versa

 

 

Este quadro de Dorindo Carvalho ajustou-se a um poema que Josep Anton Vidal escrevera:

 

 

 

 

D’un temps

 

 

Quin singular camí

 

t’ha dut fins a l’indret

 

on ara

 

tragines fútils arguments,

 

paraules que no lliguen,

 

tòpics tronats, idees

 

de pa sucat amb oli?

 

Per explicar-ho

 

-funambulista insòlit-

 

faràs mil equilibris

 

i traçaràs camins entre impossibles

 

fins construir-te un món en què tot sigui

 

com dos-i-dos-fan-quatre,

 

axioma, principi irrefutable,

 

raó sense retop, més clar que l’aigua,

 

paradigma del tot,

 

sintaxi del no gaire…

 

Posa fil a l’agulla i apedaça

 

el teu món il·lusori.

 

Al capdavall es tracta

 

de tu mateix,

 

titella sense fils, ninot dansaire

 

que t’agafes com pots aquí i allà,

 

al bell mig d’un espai

 

i un temps que no són teus,

 

ben ignorant de tot:

 

del pas, del temps, del ritme, de la dansa…

 

Au, doncs, afanya’t,

 

perquè és tard i vol ploure…

 

 

 

      I la pluja vindrà

 

      com desperta el matí,

 

      com arriba la nit, inexorables.

 

      I els camps s’amararan de pluja bona,

 

      com una melodia inacabable…

 

 

 

                     El record persistent

 

d’un temps en què tot era

 

                     on havia de ser: la mare a prop.

 

                     I el pare. Déu al Cel.

 

                     Tots els camins oberts, i el món en ordre.

 

 

 

                                  Josep A. Vidal , Octubre 2008

 

De um tempo

 

Que singular caminho

te trouxe até ao lugar

onde agora

acumulas fúteis argumentos

palavras sem nexo

lugares comuns, ideias

que não valem um chavo?

Para o explicar,

– insólito funâmbulo –

farás mil e um equilíbrios

e traçarás caminhos entre impossíveis

até construíres um mundo onde tudo seja

como dois mais dois são quatro,

axioma, princípio irrefutável,

razão definitiva, mais clara do que água,

paradigma do todo,

sintaxe de quase nada…

Pega na agulha e cose a manta de retalhos

do teu ilusório mundo.

Afinal trata-se

de ti mesmo,

marioneta sem fios, títere bailarino,

que te amparas como podes aqui e acolá,

no meio de um espaço

e de um tempo que não são os teus, 

ignorante de tudo:

do passo, do tempo, do ritmo, da dança…

Vamos lá, desperta,

Pois é tarde e o tempo ameaça chuva…

 

    E a chuva virá

   tal como nasce a aurora,

   como chega a noite, inexoráveis.

   E os campos ficarão empapadados de boa chuva,

   como uma inacabável melodia…

 

            A persistente memória

            de um tempo que tudo estava

            onde devia estar: a tua mãe por perto.

            E teu pai. Deus no Céu.

            Os caminhos abertos,
             e o mundo em ordem.

 

                (versão em português de Carlos Loures)

 

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