Novo espectáculo do Teatro dos Aloés – por António Gomes Marques

 

 

 

Tenho acompanhado a acção da Companhia Teatro dos Aloés desde a sua criação, não só por a alguns dos seus fundadores me ligar uma aventura de que também fui parte, embora com papel menor, que foi a do Centro Cultural Almeida Garrett, no Teatro da Malaposta (Senhor Roubado), quando ainda era parte do Concelho de Loures, mas sobretudo por esta companhia se manter fiel à preocupação de «contribuir para um esclarecido exercício de cidadania, a elevação moral e espiritual e o desenvolvimento cultural das populações para que» trabalha, parte dos valores que levaram à sua constituição.

 

Não pude estar na estreia, como habitualmente, do novo espectáculo nos Recreios da Amadora, Os Juramentos Indiscretos, de Marivaux, mas marquei presença no dia seguinte e, mais uma vez, não dei por perdido o meu tempo.

 

Da genialidade do autor do texto, Marivaux, não é necessário falar, génio esse que tornou possível que em França a commedia dell’ arte encontrasse um alto valor criativo, provavelmente o último; no entanto, não resistimos à tentação de dizer que sentimos, para além da beleza do texto, uma construção técnica de um verdadeiro autor de teatro, tão difícil de encontrar no teatro que por aí se vai escrevendo. Mas, o que infelizmente não é óbvio para toda a gente, nem às vezes para a crítica que por aí se vai escrevendo, toda esta genialidade de Marivaux se torna explícita pela brilhante direcção artística, que possibilita que o talento dos actores se torne evidente. Outra característica do Teatro dos Aloés, que este espectáculo confirma, é a oportunidade que dá aos jovens actores de mostrarem o seu talento, prova de que não é por falta de gente nova de qualidade que o Teatro Português não se afirma, ou melhor, deveremos mesmo dizer que é graças a esta parceria de gente mais experiente com gente jovem cheia de talento que o Teatro Português continua e continuará, no que a prática desta estrutura teatral tem sido exemplar.

 

Obrigado, é a palavra que ocorre a um velho e apaixonado espectador de teatro para mostrar toda a gratidão a esta companhia de actores, Teatro dos Aloés, que milagrosamente vai sobrevivendo neste país que é o nosso, que tanto amamos e que pelo nome de Portugal é conhecido e que tão madrasto se mostra para os seus filhos.

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