POEMAS SOBRE O ALENTEJO – Florbela Espanca

 

POEMAS SOBRE O ALENTEJO

 

 

Florbela Espanca

 

Árvores do Alentejo

 

Ao Prof Guido Battelli

Horas mortas… Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido… e, torturadas,

As árvores sangrentas, revoltadas,

Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte

A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,

Esfíngicas, recortam desgrenhadas

Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,

Almas iguais à minha, almas que imploram

Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:

– Também ando a gritar, morta de sede,

Pedindo a Deus a minha gota de água! 

in “Charneca em Flor

 

Desenho: Manuel Ribeiro de Pavia

 

Amanhã – Miguel Torga

 

 

 

 

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