Capitulo III. Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização
3. A Alemanha, os Estados Unidos e a China na economia global
3.2 Nos Estados Unidos, os símbolos Levi’s, Converse…são frequentemente « made in algures”
Claire Gatinois, Le Monde, 26.03.2012
O senhor e a senhora McKenzie são bons cidadãos americanos. Moradores nos subúrbios de Nova Iorque, eles acreditam que comprar produtos locais é uma acção patriótica. O Buy American Act of 1933 não obrigava ele o Governo Federal a privilegiar o “made in EUA.”? Isto cai bem, desde a toranja da Flórida ao petróleo do Texas, passando pelo algodão de Louisiana e pela alta tecnologia de Palo Alto, a primeira economia mundial está cheia de recursos.
No entanto, as marcas mais emblemáticos são muitas vezes “made in algures “. O boné dos Yankees do senhor McKenzie? Fabricado na China. O casaco da Universidade de Nova York, vendido na sua loja oficial? Vindo da República Dominicana. Os jeans Levis? “Feitos no Paquistão”. O par de sapatilhas Converse? Chegado directamente do Vietname…
É que, nos Estados Unidos é impossível fazer batota. As roupas são sujeitas ao Textile and Wool Acts: só aquelas “inteiramente ou quase inteiramente” feitas no país podem reivindicar o rótulo de “Estados Unidos”. Se o produto é somente montado nos Estados Unidos, a partir de peças importadas, a marca deve especificar esse facto.
Mas as empresas assumem. Como Nike, que trabalha com 900 fabricantes na China, no Vietname ou na Indonésia. O que não impede que o grupo empregue 23.000 pessoas nos Estados Unidos para projectar a próxima “Nike air”, que os filhos McKenzie bem disputam. Além disso, 70% dos 135 milhões de “airbags” – acessórios de algumas solas de sapatos – continuam a ser fabricados além-Atlântico.
Em Nova Iorque o chique impõe muitas vezes comer de modo cosmopolita e beber vinho de Bordéus. No entanto, a Califórnia está cheia de vinhos muito elogiados pelos enólogos. Nada grave, McKenzie preferem mesmo assim comer no McDonald, onde os hambúrgueres são preparados com carne de Texas, do Nebrasca, Kansas ou do Colorado e as batatas para fritar vêm do Maine. Com a condição de esquecer a dieta, eles também podem se oferecem um Donut Dunkin ‘ onde “a maioria dos ingredientes é de origem local”.
O caso exemplar de General Motors
Para mobiliar interiores o seu primeiro impulso foi dirigirem-se ao Ikea de Brooklyn, onde a maioria dos móveis vêm da Ásia. Mas ocasionalmente eles navegam no site Americansworking.com, que lista os produtos americanos, como os móveis “Amish fourniture”, feitos com madeira de Ohio ou de Indiana. O objectivo? “Preservar o emprego nos Estados Unidos”, explica David Riley, fundador do site. O seu sucesso continua a ser modesto: 2,5 milhões de pessoas visitaram-no no final de 2011. Mas recebe 25-30% mais visitantes por ano, disse.
Para os electrodomésticos, os McKenzie no entanto não precisam de ajuda. Na Frigidaire, podem encontrar uma máquina de lavar roupa, um forno ou uma máquina de lavar louça orgulhosamente fabricada na América: o design e a concepção são americanos.
Na electrónica, as coisas vão mal: o iPad último grito, que os McKenzie acabam de comprar na Apple Store da Fifth Avenue é fabricado pela empresa chinesa Foxconn com componentes frequentemente japoneses. Mudar de marca? O seu computador HP também é projectado nos Estados Unidos mas montado na Ásia.
O balanço é mais favorável para os carros: os McKenzie optaram por um Silverato da General Motors (GM), saído das fábricas de Fort Wayne (Indiana), Flint (Michigan) e Silao México, sendo 62% americano. E GM é, aos seus olhos, exemplar: o Chevrolet Sonic agora é fabricado nos Estados Unidos e não na Coreia. O que faz crescer a indústria americana, que representa 22,1% do PIB do país, segundo Natixis, contra 18,6% em França.
Claire Gatinois
