Sherry Turkle Ligados, mas sozinhos?
O que vamos ouvir dizer neste vídeo é não só assustador como é o que se está a passar num mundo em que o uso errado das tecnologias de comunicação substituem o contacto das pessoas entre si, ao convencê-las de que assim podem ser mais felizes, evitando conflitos, insucessos, reveses, normais no contacto directo. Protegendo-as da sua vulnerabilidade, do medo da intimidade, do confronto de olhos nos olhos, ou seja, colando-lhes uma máscara. Sherry Turkle alerta-nos para a falsidade das compensações que os teclados nos dão, cortando uma verdadeira ligação humana com os outros e de cada um consigo próprio. Mas mostra-nos que não é necessário rejeitarmos por completo esses dispositivos, apenas não permitir que se apoderem das nossas vidas.
Oiçam, pois, o que nos diz esta psicóloga porque vale a pena. Mais do que isso: não se deve deixar de ouvir.


Estou completamente de acordo com as reflexões transmitidas por esta psicóloga, na sua magnífica exposição, que vêm ao encontro das minhas próprias reflexões, menos elaboradas – claro! – em termos discursivos, mas que tenho vindo a transmitir “em conversas”, ou por escrito, parcelarmente.Não é por acaso que sempre recusei fazer parte de qualquer rede social (onde até se pode “criar” uma personalidade falsa…), correndo alguns dos riscos que a palestrante aponta e outros de que não chega a falar: é porque sempre fiz uma avaliação semelhante desses “recursos”. E nunca seria capaz de me entreter, um minuto que fosse, com jogos de “avatares”, onde os jogadores se divertem (?) a criar, para si próprios, falsos personagens, falsas aventuras, falsas vidas, com falsos “companheiros”, em vez de focarem a sua atenção nas suas vidas reais, nas pessoas que os rodeiam, na sociedade em que estão inseridos e nos seus problemas colectivos.Ainda tive oportunidade, antes de me aposentar, de observar os efeitos nocivos da incapacidade de ouvir os outros, na própria actividade profissional, que é uma das áreas onde os malefícios destas novas formas de “relacionamente” se estão já a notar e se irão agravando, com consequências gravíssimas, no ambiente de trabalho, no modo de funcionamento em “grupo” e, fatalmente, no “produto final”, seja ele qual for.Também tento ser optimista: após o período de “doenças infantis” que estamos atravessando, espero (mais do que acredito) que a maioria dos “utentes tecnológicos” estabilize o seu comportamento num patamar saudável de relacionamento com os “aparelhos” que hoje atafulham as suas vidas…Mas, mesmo que conte ainda viver uns bons anos, duvido que consiga assistir a essa estabilização (pelo menos sem uma boa quantidade de “peças sobresselentes” que o progresso, eventualmente, ponha à minha disposição, a preços acessíveis…)
Talvez tenhamos que ser nós, os que ainda tivemos oportunidade de nos apercebermos dos efeitos nocivos que referes – e se tivemos! – a dar o impulso ao início deste debate. Também sempre rejeitei esses jogos e essas comunidades onde toda a gente é amiga mas ninguém se conhece, onde todos falam mas não se conversa nem se diz nada.