Diário de bordo de 20 de Abril de 2012

 

 

 

 

Perante um executivo que vai emendando, sempre para pior, os lapsos que comete, não nos parece ser exercício para que estejamos vocacionados o de ir comentando as más notícias que a «sinceridade» do primeiro-ministro e de seus comparsas nos vão diariamente transmitindo. A questão do “plafonamento” das reformas, é um bom exemplo destas areias movediças em cima das quais Passos Coelho vai construindo um edifício cujo colapso ou implosão é inevitável.

 

Aproxima-se mais um 25 de Abril e vai comemorar-se o 38º aniversário de uma Revolução que não o foi.

 

«É costume dizer-se que o 25 de Abril ficou a meio, porque não estruturou a sua aliança com o campesinato ou não teve um projecto de luta pelo Poder» (…) o MFA nasceu somente para instaurar a democracia e realizar eleições livres» (…) somente queria criar condições para que todas as opções políticas tivessem acesso à palavra». Estas são palavras de Salgueiro Maia, proferidas dez anos depois da Revolução. Foi nesse mesmo aniversário que, em discurso na AR, o socialista Tito de Morais, afirmou que tal como a Medicina era tarefa para os médicos, a Política era assunto para os políticos. E logo por aqui se via como os militares do MFA, generosos e honestos, foram ingénuos.

 

Devolveram a Democracia ao povo. Competia-nos criá-la. Os militares do MFA demoliram o barracão podre e velho do Estado Novo. Como disse Josep Vidal, um argonauta de Barcelona. No terreno onde estava esse velho edifício, ficou um terreno baldio. As ratazanas que viviam e procriavam no barracão, espalharam-se com as suas ninhadas pelo terreno. Aí os temos, descendentes da velha União Nacional, que Marcelo Caetano transformou em Acção Nacional Popular, e «ala liberal» crismou como Partido Popular Democrático, desaguou neste Partido Social Democrático que hoje, de lapso em lapso, de degrau em degrau, nos leva de regresso a um futuro onde reina o espírito do passado.

 

O Partido Socialista, e não falamos só da clique que tomou o poder e rasgou os princípios enunciados em 1973, tem responsabilidades nesta situação. Abriu as portas a este conceito de  democracia que retira todo o poder a quem, por definição, o devia ter. Aí temos em toda a sua grandeza e esplendor o resultado do que Tito de Morais defendia – os políticos exercendo a sua profissão…

 

A nosso ver, a política não é uma profissão. É um dever de cidadania. Se deixamos que a democracia, o «governo do povo», seja em nosso nome exercida por profissionais, não nos podemos queixar. Porém, entrando naquilo a que eles chamam «jogo democrático», digamos que em todas as profissões, há maus profissionais. Estes, tal como os anteriores, são péssimos.

 

Com justíssima causa, devemos despedi-los. Já!

 

Só há um pequeno problema – os patrões, não somos nós.

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