EM COMBATE – 56– por José Brandão

 

Durante o mês de Outubro de 1969, apresentaram-se às nossas tropas as restantes populações civis fugidas, lideradas pelos sobas Zôvo e Tximinha.
Procedeu-se a mais uma alteração no Comando da Companhia, com a transferência para o Quartel-General (QG) da Região Militar de Angola (RMA) do capitão de Artilharia José Henrique Rola Pata, sendo substituído pelo capitão de Infantaria Manuel Óscar de Barros Rosário.
Conforme o sucedido em anteriores alterações, a Companhia, após um período inicial de adaptação, reagiu bem ao novo comandante, continuando a demonstrar a sua operacionalidade. Acentuou-se neste período a melhoria da alimentação referida em anterior relatório.
No decorrer do mês de Novembro de 1969, operou-se uma nova intensidade operacional, com constantes patrulhamentos em toda a zona de acção da CCAV 2332. Apoiados pela colaboração da PIDE/DGS e uma forte rede de informações, foi lançada a operação «FLORBELA» em que as nossas tropas (NT) empenharam um Grupo de Combate (GC) e interceptaram na zona de Caúngula, um grupo inimigo (IN) causando-lhe algumas baixas e apreensão de diverso material.
Regista-se que em Dezembro de 1969, houve a preocupação de realizar melhoramentos nos diversos locais da Sede. A moral dos militares elevou-se com as obras no Refeitório, na inauguração da Cantina/Sala do Soldado «Tarata Bar» e ainda com melhorias no Parque-Auto.
Reporta-se que devido à grande pluviosidade, registaram-se estragos muito consideráveis nas picadas da nossa Zona, contribuindo para um desgaste de pessoal e material.
O Quadro Orgânico da Companhia sofreu nova alteração, havendo a referir a transferência para o Hospital Militar de Luanda (HML) do Alferes Miliciano Médico Luís Filipe Flores Mourão, sendo substituído pelo Alferes Miliciano Médico Rodrigo Dias Guerreiro Boto.
No dia 27 de Janeiro de 1970, conluiem-se dois anos de Comissão.
A CCAV 2332, não abrandou a sua presença na zona de acção, prestando aos diversos serviços de apoio aos aldeamentos entretanto recuperados (transporte de água potável, lenha e mandioca proveniente das lavras), prestando ajuda médica e fiscalizando os procedimentos de auto defesa das aldeias, quer criando abrigos, quer instalando torres de vigilância na periferia.
Durante o período compreendido entre Fevereiro e Março de 1970, a Companhia não reduzindo a sua capacidade operacional, começou a preparar a sua substituição.
Regista-se nesta fase, nas diferentes áreas de serviço da Companhia, a conferência de todo material militar a transferir para a nova unidade.
Em Abril de 1970, chegou ao Camaxilo a Companhia de Artilharia 2672 que ostentava o lema (TIGRE – Não Tememos. Ousamos).
Esta unidade irá assumir em breve, a zona de Intervenção deixada pela CCAV 2332.
Ainda em Abril de 1970 (dias desconhecidos), foi efectuada a sobreposição e a rendição da CCAV.2332 pela nova unidade.
No dia 10 de Abril de 1970 (data não confirmada) com partida do Camaxilo, iniciou-se (em coluna militar composta por 10 viaturas civis fretadas) o regresso a Luanda, via Malange.
Em 12 de Abril de 1970 (data não confirmada), a coluna chegou a Luanda e ficou instalada no Campo Militar do Grafanil (nos arredores da capital).
Em 14 de Abril de 1970, no Cais de Luanda, a Companhia embarcou a bordo do navio « Uíge» para a viagem de regresso com destino a Lisboa.
No período entre 14 e 26 de Abril de 1970, foi efectuada viagem a bordo do navio «Uíge» sem incidentes a registar, referindo-se apenas a incerteza do navio ter necessidade de aportar a Bissau para evacuar um militar embarcado (de uma outra Companhia) que foi acometido por uma peritonite. Infelizmente tal desvio não foi necessário, pois o referido militar não resistiu e faleceu durante a viagem.
Finalmente, pelas 04h30 da madrugada de 26 de Abril de 1970, o navio «Uíge» parou máquinas e fundeou ao largo da barra de Lisboa (viam-se a luzes da cidade), ficando a aguardar instruções para atracar.
De manhã pelas 08h00, o navio entrou no Tejo e acostou às 10h00 no Cais da Rocha Conde de Óbidos, onde uma multidão aguardava e acenava aos militares.
De imediato os militares se dirigiram ao Regimento de Cavalaria 7, onde levantaram as suas licenças de desmobilização.
No dia 27 de Maio de 1970, todos os elementos do Quadro Complementar, passaram à situação de disponibilidade (Conforme averbamento na Caderneta Militar).

Documentos recolhidos por Luís Sousa e Faro

http://sites.google.com/site/ccav2332/CCAV2332

 

 

A seguir:  Batalhão de Caçadores 2877

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