O GARDEN- PARTY, de KATHERINE MANSFIELD – VI. Tradução de João Machado.

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

(continuação)

 

Lá conseguiram encontrar o envelope atrás do relógio da sala de jantar, embora a Senhora Sheridan não tivesse a menor ideia sobre como teria ido lá parar.

 

 

― Uma de vocês surripiou-mo da minha mala, porque eu lembro-me muito bem … queijo creme e requeijão. Escreveste?

 

 

― Sim.

 

― Ovo e… ― a Senhora Sheridan tirou-lhe o envelope. ― Parece ratazanas. Não pode ser ratazanas, pois não?

 

 

― Azeitonas, mãezinha, ― disse Laura, por cima do ombro dela.

 

― Azeitonas, pois claro. Que mistura horrível. Ovo e azeitonas.

 

 

Lá conseguiram acabar, e Laura levou foi levar tudo à cozinha. Encontrou Jose a acalmar a cozinheira, que não parecia querer aterrorizar ninguém.

 

― Nunca tinha visto sanduíches com um aspecto tão requintado, ― dizia Jose com uma voz entusiástica. De quantas qualidades é que disse que há, cozinheira? Quinze?

 

― Quinze, Miss Jose.

 

― Bem, cozinheira, os meus parabéns.

 

A cozinheira varreu umas migalhas com a faca de cortar pão, e mostrou um grande sorriso.

 

― Chegaram da Godber, ―avisou Sadie, a sair da copa. Tinha visto o homem a passar em frente á janela.

Portanto as bombas tinham chegado. A Casa Godber era famosa pelas suas bombas. Ninguém pensava sequer em fazê-las em casa.

 

― Trá-las e põe-nas na mesa, menina, ― ordenou a cozinheira.

 

A Sadie trouxe-as para dentro e voltou à porta. Claro que a Laura e a Jose eram demasiado crescidas para ligarem muito aquelas coisas. De qualquer modo, não podiam deixar de concordar que as bombas tinham um aspecto muito atraente. Muito. A cozinheira começou a arranjá-las, limpando o açúcar gelado a mais.

 

― Não achas que nos fazem recordar todas aquelas festas em que já estivemos?

 

― Acho que sim, ― disse a prática Jose, que não gostava de recordar o passado. ― Parecem muito leves, como penas.

 

― Tirem um cada uma, queridas, ― disse a cozinheira com voz tranquila. ― A vossa mãe não dá por isso.

 

Oh, não podia ser. Imaginem, bombas logo a seguir ao pequeno almoço. Só pensar nisso causava sobressaltos. De qualquer maneira, dois minutos depois Jose e Laura lambiam os dedos com aquele ar pensativo que só o chantilly consegue causar.

 

― Vamos ao jardim, pelo caminho de trás, ― propôs Laura. ― Quero ver como é que os homens se estão a haver com o toldo. São tremendamente simpáticos.

 

Mas a porta de trás estava impedida pela cozinheira, por Sadie, pelo homem da Godber e por Hans.

 

 

Tinha acontecido alguma coisa.

 

(continua)

 

 

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