Capitulo IV. 1. Bens e serviços negociáveis e não negociáveis no quadro da economia global: o caso da economia americana. Por Michael Spence e Sandile Hlatshwayo – VI
(continuação)
Emprego no sector dos não negociáveis
Os grandes sectores dentro do agrupamento dos não negociáveis são o governo, a saúde, as vendas a retalho, os serviços de alojamento/alimentação (i.e., hotéis, restaurantes e hotelaria) e a construção (ver Figura 6). Em 2008, estas actividades representavam cerca de 73,5 milhões de empregos, cerca de 64% do emprego total que se verificava no sector dos bens e serviços não comercializáveis e aproximadamente cerca de 50 por cento de toda a economia. Em conjunto, os 5 principais sectores dos não comercializáveis contribuíram com 65 por cento da variação total de postos de trabalho a partir de 1990 para 2008.
O Governo, em todos os níveis, é o maior empregador do sector dos não comercializáveis e representa um pouco mais de 22,5 milhões de empregos em 2008. Os cuidados de saúde é claramente o segundo sector mais importante do grupo dos não negociáveis tendo no fim do período atingido um total de 16,3 milhões. Em termos de acréscimos, o crescimento do emprego nos cuidados de saúde foi de 6,3 milhões de empregos e está portanto no topo da lista quanto ao volume de emprego adicional criado, enquanto que o total criado pelo lugar governo o situa em segundo pois o seu acréscimo em volume de empregos foi de 4,1 milhões. Estes dois acréscimos juntos valem quase 40% do emprego total líquido criado adicionalmente na economia desde 1990. Para uma discussão posterior, notemos que o emprego criado a nível governamental não é principalmente impulsionado pelas forças de mercado, e os cuidados de saúde é algo de relativamente híbrido. As forças de mercado trabalham na área da saúde, mas com grandes assimetrias ao nível da informação e com uma substancial participação pública no lado da procura e na regulação. Tanto no governo como no sector dos cuidados de saúde, há pelo menos algumas questões a colocar sobre a sua capacidade futura em ser o principal impulsionador do crescimento do emprego.
As Figuras 6 e Figura 7 mostram as tendências no sector dos bens e serviços não comercializáveis. Elas incluem componentes não comercializáveis de sectores como as finanças e os seguros, mesmo que a maioria destas indústrias sejam negociáveis. Para garantir que os dados são vistos no seu contexto, as indústrias que não são predominantemente ou não são totalmente comercializáveis incluem um asterisco. Não temos até este momento forma de isolar o crescimento do emprego ou o seu declínio em subcomponentes negociáveis e não negociáveis de um sector ou indústria que é uma mistura dos dois grandes agregados em que estamos agora a analisar a economia.
Podemos, portanto, simplesmente ligar o aumento ou diminuição do emprego (ou depois, o do valor acrescentado) ao grande agregado dos bens e serviços negociáveis ou não negociáveis com base na proporção da indústria que é estimada estar em cada um dos dois agregados.6 Isto é improvável ser preciso, pelo menos para as situações de declínio ; os declínios são mais prováveis de ocorrer no subcomponente dos negociáveis. As reduções na parte dos não comercializáveis, portanto, não devem ser tomadas muito a sério. Felizmente, elas são relativamente pequenas e não afectam substancialmente o quadro geral.
Para facilitar a visualização destas tendências, as indústrias mais pequenas do agrupamento dos bens e serviços não comercializáveis têm uma escala diferente e estão incluídas na Figura 7. Mais uma vez, o leitor poderá notar que certas categorias — como Industria Transformadora III que na sua maior parte são mercadorias negociadas internacionalmente e são mercadorias intensivas em capital tais como a maquinaria pesada — incluem também um componente não negociável .
Figure 7. Nontradable Industry Jobs, 1990–2008 (Minors)8
Source: Authors’
(continua)


