Desfile de Gomes da Costa e suas tropas após a Revolução de 28 de Maio de 1926
Menos de dezasseis anos após ter sido proclamada, a República mergulhara no caos – por um lado, os monárquicos nunca perderam uma oportunidade para desestabilizar o novo regime e, por outro, os próprios republicanos estavam divididos. A República agonizava, sufocava no vómito de mil e uma dissensões: greves, revoltas, assassínios como os da «Noite Sangrenta», múltiplas conspirações. Na Europa, Portugal era designado como o «pequeno México». Até mesmo republicanos convictos, como os que formavam o grupo da Seara Nova reconheciam a necessidade de pacificar a vida nacional.
No dia 28 de Maio de 1926, a partir de Braga, desencadeava-se um movimento militar – este golpe não seria uma intentona vulgar como houvera dezenas desde 5 de Outubro de 1910. Este puscht modificaria radicalmente o País e influenciaria o curso da sua história durante quase meio século. Presidia Bernardino Machado. De Braga, nessa madrugada saiu uma coluna militar comandada pelo general Gomes da Costa, herói das campanhas africanas e da I Guerra Mundial. As guarnições militares do Porto, de Coimbra, de Santarém, de Lisboa, de Évora, foram aderindo… Aquilo a que se chamaria a Revolução Nacional, triunfou sem quase um tiro ser disparado.
Dias depois, a 6 de Junho, Gomes da Costa desfilava triunfalmente em Lisboa, na Avenida da Liberdade à frente de quinze mil homens. O povo da capital, aplaudia-o freneticamente. Os democratas mantiveram a serenidade – tratava-se apenas de arrumar a casa. Mas menos de um ano depois, em Fevereiro de 1927, eclodia uma revolta militar e civil de grandes proporções, com principal expressão no Porto e depois em Lisboa onde além de muitos mortos nos combates, houve depois fuzilamentos. Em 1933, a Ditadura Nacional, supostamente transitória, dava lugar ao Estado Novo referendado e aprovado pela maioria dos cidadãos eleitores.
Um Estado Novo, corporativista, anti-parlamentar, católico, com inspiração na Itália fascista, dominado por um ditador mesquinho e tacanho que redesenhou o País à imagem da sua aldeia.
Uma longa noite começara nessa madrugada de 28 de Maio. Faz hoje 86 anos.
publicado por Carlos Loures às 12:00
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