Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
6. A Espanha, demasiado grande para um plano de resgate?
Le Monde e AFP
A Espanha, abalada pelos mercados que duvidam da sua solvabilidade, avançou na terça-feira, 5 de Junho, um argumento poderoso para evitar recorrer a ajuda externa: a dimensão da sua economia.
O país é a quarta maior economia da zona euro, que representa 12% do PIB total, em comparação com apenas 6% para a Irlanda, Portugal e a Grécia, todos juntos. No entanto, o resgate dos três planos custa respectivamente 85 mil milhões, 78 mil milhões e 292 mil milhões de euros… deixando augurar e um custo ainda bem maior para Madrid.
Esforço e reconhecimento
Desde o pedido de assistência pública histórica 23,5 mil milhões em Maio por Bankia, o terceiro banco do país por activos, a Espanha está no centro das preocupações dos mercados, uma vez que os investidores temem que este país não possa assumir sozinho as suas obrigações financeiras e que tenha de solicitar a ajuda externa.
Mas isso não será o caso, “entre outras razões porque tecnicamente, a Espanha não pode ser objecto de um resgate”, disse o Ministro do Orçamento, Cristobal Montoro, na rádio Onda Cero. O porta-voz do governo, Soraya Saenz de Santamaria, por sua vez reiterou a sua mensagem optimista: “a Espanha está á frente no esforço das reformas no conjunto da União Europeia e este esforço está a começar a ser reconhecido em todo o mundo”.
“Eu insisto, para fazer o que estamos a querer fazer em Espanha, o equilíbrio orçamental, o regresso à estabilidade orçamental através da reforma Constitucional, o saneamento financeiro do sector bancário, a melhoraria nas relações de trabalho, nós não precisamos de nenhuma ajuda” externa, disse o ministro . Montoro.
“A Espanha não tem necessidade de nada disso, precisamos é de mais Europa, de mecanismos que permitam a integração europeia”, concluiu. “Entendemos que o nosso futuro está na Europa, está no euro. E devemos tudo fazer para que na verdade as instituições tomem decisões.”
Um controlo centralizado das finanças
Madrid defende que a ajuda do fundo de apoio europeu, o futuro mecanismo europeu de estabilidade, o MEE, seja autorizado a recapitalizar directamente os bancos espanhóis, mesmo que para isso tenha que renunciar em parte á sua soberania orçamental.. Esta ajuda pontual estaria assim muito distante de um plano qualquer de resgate que colocaria o país sob a tutela das instituições internacionais.
“A reflexão [da Comissão Europeia] sobre a necessidade de centralizar a supervisão bancária, sobre os fundos de garantia dos depósitos e a criação de instrumentos para capitalizar os bancos directamente parece-nos extremamente justa”, disse neste sábado o chefe do governo, Mariano Rajoy.
Para ver este projecto ser aprovado, a Espanha está mesmo disponível para ceder mais “soberania, especialmente no domínio orçamental”, disse ele, defendendo uma “um autoridade orçamental europeia ” que faria “um controle centralizado das Finanças”.
“Capacidade de resistência”
Enquanto os analistas quantificam entre 60 e 200 milhões de euros as necessidades de que o país precisa para apoiar os seus bancos, o ministro do orçamento garantiu na terça-feira que ” o montante de que precisa o governo espanhol para recapitalizar o sector bancário não é muito alta, não é um valor excessivo”. A avaliação deste montante “depende do resultado da análise que actualmente está a ser realizada por agências externas e objectivas e do FMI, de que iremos dispor brevemente.”
O FMI entregará o seu relatório a 11 de Junho. Cerca de uma semana mais tarde os gabinetes de auditores e consultadoria Roland Berger e Oliver Wyman irão entregar os resultados da sua auditoria. Esta última consiste de “uma avaliação geral dos balanços dos bancos em Espanha e da sua capacidade de resistência” aos choques económicos, sobretudo em situação de forte recessão, com resultados que “serão conhecidos na segunda quinzena de Junho”, indicou o Banco da Espanha.
Um segundo estudo, conduzido desta vez por quatro empresas de auditoria, Deloitte, KPMG, PwC e Ernst & Young, para quantificarem as necessidades do sector, enfraquecido pelas sua exposição ao sector imobiliário: será avaliada “a deterioração dos activos bancários da cada grupo bancário” e as provisões previstas para lhe poder fazer face, com resultados a serem esperados “nos próximos meses”.
Sandrine Morel, Le Monde e AFP, 5 de Junho de 2012.
Par Sandrine Morel
Il ne manquait plus que cela à l’Espagne pour clore une semaine noire. Dans la soirée du vendredi 18 mai, le ministère des finances a reconnu, dans un communiqué, que le déficit public en 2011 n’a pas été de 8,51 %, comme annoncé en mars à Bruxelles, mais de 8,91 %.
Les régions de Madrid et de Valence sont les grandes responsables de cette correction à la hausse. Madrid, qui se targuait jusqu’alors d’être la seule région à avoir respecté les objectifs de déficit, avec un solde de 1,1 % du PIB, a finalement reconnu que son déficit a atteint de 2,2 %. Valence affiche un déficit de 4,5 % du PIB en 2011 au lieu de 3,68 % et la Castille-et-Leon reconnaît qu’il est de 2,59 % au lieu de 2,35 %. Au total, la déviation enregistrée représente près de 4 milliards d’euros.
La réalité des chiffres est apparue lors du conseil de politique fiscale et financière, une réunion entre les conseillers en économie des régions et le ministre des finances du gouvernement central, qui se tenait jeudi.
Les régions y ont présenté les plans d’équilibre financier pour 2012, des ajustements budgétaires pour une valeur de 18 milliards d’euros, destinés à leur permettre de respecter l’objectif de déficit de 1,5 % du PIB, fixé par Madrid. C’est dans ces plans que sont apparues les corrections de Madrid, Valence et Castille-et-Leon.
Le conseiller en économie de Madrid, Percival Maglano, s’est expliqué à ce sujet vendredi matin et a notamment attribué cette déviation à une baisse des recettes fiscales de près de 2 milliards d’euros, due à la rechute de l’économie et à la mise en marche du “plan de paiement aux fournisseurs” : un plan d’aide du gouvernement de 17 milliards d’euros, destiné à ce que les régions mettent à jour les factures impayées, datées de 2011.
SEMAINE NOIRE
Selon le ministère des finances, ce plan s’est traduit par “la mise en circulation des dettes en attente “, c’est-à-dire des factures impayées, jusque-là cachées dans les tiroirs.
La conséquence de ces déviations sur le déficit public définitif de l’Espagne, annoncée vers 22 heures, après la fermeture des Bourses européennes, boucle une semaine noire : explosion des taux d’emprunts de la dette souveraine, à plus de 6 % ; rumeurs de fuites massives de capitaux de la banque nationalisée Bankia ; confirmation du retour de la récession ; dégradation des notes de seize banques et de quatre régions autonomes par l’agence de notation Moody’s; ou encore recul de 6 % sur la semaine de l’indice boursier, l’Ibex 35.
Malgré tout, le gouvernement espagnol maintient son engagement de respecter l’objectif de déficit convenu avec Bruxelles de 5,3 % du PIB en 2012. Un objectif qui apparaît plus difficile que jamais à atteindre.
