COMPLEXO DE RONDON – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Calma, Senhora Doutora, esse complexo eu cá não tenho, o Édipo foi à vida, já não há pachorra para matar o pai e papar a mãe. O que me atormenta hoje é outro complexo, o de Rondon. Não sabe o que é isso? Então eu conto:

Coitado do Cândido Rondon! A comandar tropa pacífica, antes morrer que matar, passou a vida a apaziguar e proteger os índios. E na Amazónia também a estender o telégrafo por aquele sem-fim de rios e florestas. Com soldados índios, brancos e negros, deitou abaixo 17.278 árvores. Aparelhou-as e chantou-as como postes.

 

Desenrolou, içou e esticou 5.253 quilómetros de fios de ferro e cobre. Quando tornou ao Rio de Janeiro já estava velho. Só então lhe deram a notícia que ninguém tivera a coragem de lhe transmitir por cabo: Marconi inventara a TSF, Telegrafia Sem Fios…

 Senhora Doutora diga-me lá: com este avanço tecnológico, com esta mudança acelerada do modo de vida, o que posso eu ensinar aos meu filhos? Acho que nada, sofro muito, é este o meu complexo de Rondon, percebe? 

 A minha nora está grávida, vem aí o meu primeiro neto. Só temo que o infante, ao sair da mãe, saúde assim o pai:

 – Ó patego, olha o balão! 

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