por Rui Oliveira
Nas diversas galerias da capital lisboeta há igualmente mostras diversas que os críticos têm valorizado. Ordenando-as pela data do seu encerramento previsto, teríamos entre elas :
Na Galeria Cristina Guerra (à Estrela), o fotógrafo eborense Edgar Martins apresenta até 11 de Julho os seus trabalhos sob o título “The Wayward Line”.
Segundo o crítico (N.C.) “ Edgar Martins trabalha a superfície da imagem fotográfica como se ela fosse a tela de uma pintura sobre a qual é preciso agir … A estratégia, simultaneamente estética e conceptual, é de deslocar elementos do quotidiano e recriá-los em ambientes e atmosferas diferentes … o resultado é um universo ficcional e sobre-humano onde a estranheza e o inesperado se unem a uma espécie de familiariedade … Por isso, muitas vezes estas fotografias parecem sonhos surreais, imagens meditativas e metafísicas de mundos a que só acedemos através de um esforço grande da imaginação e da atenção …”.
Na Galeria 111 (ao Campo Grande), o pintor Rui Pedro Jorge faz a sua segunda exposição individual “Tempos de Poeira” patente até 31 de Julho próximo.
Diz o crítico (C.M.) que ele define “… um território conceptual e temático de assinalável consistência … opta por uma represtação descontínua do real que figura os seus elementos mas que não é exactamente naturalista, rasgando aqui e ali a ilusão de perspectiva ou trespassando a superfície da representação do real … á nas imagens criadas por esta pintura uma teatralidade que, mais do que explicitar as causas do mal, nos coloca perante o próprio desconforto …” .
Na Galeria Quadrado Azul (à Rua do Alecrim), Zulmiro de Carvalho apresenta “Esculturas Sculptures”, uma exposição constituída por novas obras suas em aço que permanecerá até 31 de Julho próximo.
As peças, estudadas para o espaço da galeria, foram desenvolvidas de modo a possibilitar a relação com diferentes espaços. O recurso a um sistema formal modular, característica usual no processo de trabalho do artista, permite ainda que as esculturas possam assumir distintas configurações. Segundo o crítico (J.L.P.) “… Zulmiro faz o que quer desse plano espesso ou desse sólido fino, joga com a ambiguidade da nossa maneira de decifrar os planos e os espaços, utilizando a escultura como inventora e multiplicadora das possibilidades expressivas da sala que a recebe …”.
Na Kunsthalle Lissabon (à Avenida da Liberdade), Daniel Gustav Cramer & Haris Epaminonda apresentam até 18 de Agosto o seu projecto “Early Summer”.
O alemão Cramer e a cipriota Epaminonda conheceram-se em 2001. O trabalho de ambos os artistas apresenta-se fragmentário e a sua exposição tende a enfatizar a construção de constelações de peças no espaço expositivo.
A prática de Cramer inclui sobretudo fotografias, mas por vezes assume a forma de esculturas, livros e vídeos que formam, entre si, um sistema visual coerente. O trabalho de Epaminonda aborda perspectivas semelhantes de deslumbramento e mistificação. As composições pictóricas, fílmicas e espaciais que a artista desenvolve partilham de uma sensibilidade e textura únicas. A sua linguagem subtil e estranhamente emotiva convoca um espaço onde o espectador se pode perder num reino de ligações e gestos.
Para a exposição na Kunsthalle Lissabon, os dois artistas irão criar uma narrativa aberta recorrendo a imagens encontradas, fotografias, livros, vídeos e pequenas esculturas. A exposição dará continuidade a uma série de títulos de exposições inspiradas por obras do realizador japonês Yasujir? Ozu (Late Spring (1949), Early Summer (1951), Early Spring (1956), Late Autumn (1960)).
Na Galeria Carpe Diem Arte e Pesquisa (ao Bairro Alto), até 22 de Setembro, está exposto “Um continuum en três tempos”, da artista francesa Amélie Bouvier com curadoria de Lourenço Egreja.
Trata-se dum trabalho site-specific para o Palácio Pombal, baseado no estudo dos terrenos e das curvas de níveis para originar um território de criação. Ao utilizar o desenho e a instalação como intervenção no espaço, Amélie Bouvier cria um cruzamento entre arte e arquitectura, mostrando a continuidade que existe entre estes dois campos e acentuando o trabalho sobre os mecanismos da representação da espacialidade. Através do seu posicionamento neste espaço fisicamente carregado − diz o curador − a artista “questiona a sua função e circulação, assim como tudo o que lhe pertence mas que o nosso olho não atinge. Com base na influência do Surrealismo na arquitectura, Amélie Bouvier ocupa três salas da cave do Palácio Pombal como zona de exploração, reequacionando a função do desenho na sua relação com o espaço, com o espectador e com a paisagem histórica do lugar”.
Na Roca Lisboa Gallery (Praça dos Restauradores, nº 46) está patente até 30 de Setembro a exposição “A Arquitectura Portuguesa no Prémio da União Europeia para Arquitectura Contemporânea- Prémio Mies Van Der Rohe 1987-2011” que apresenta num conjunto de maquetas, as cinco obras portuguesas premiadas, painéis de algumas obras, com desenhos e fotografias e uma tela de imagem onde se pode ver a história do Prémio Mies Van Der Rohe.
O Prémio é o mais importante galardão da arquitectura europeia outorgado pela “Fundação Mies van der Rohe”, e reconhece a excelência no campo da arquitectura e a importante contribuição de profissionais europeus no desenvolvimento de novas ideias e tecnologias. Instituído em 1988, o Prémio Mies van der Rohe foi ganho na sua primeira edição pelo arquitecto português Álvaro Siza, com o edifício Banco Borges & Irmão, em Vila do Conde. O prémio é atribuído de dois em dois anos e é fruto de uma parceria entre a fundação e a Comissão Europeia.
O Museu Neues em Berlim, de David Chipperfield em colaboração com Julian Harrap, foi a obra distinguida na edição deste ano do Prémio, tendo a Casa Collage, em Girona, de Ramon Bosch e Bet Capdeferro recebido a Menção Especial Arquiteto Emergente.
A exposição fica completa com a introdução à exposição fotográfica de 2011 do Prémio Europeu para Arquitetura Contemporânea Mies van der Rohe que acontece simultaneamente no Espaço Multiusos do Parque da Marina Terra em Cascais.
Por oportuna coincidência e em particular para os preocupados com a viabilidade do sector das Artes, vai decorrer a 4 e 5 de Julho no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian a “21st The Johns Hopkins International Fellows in Philanthropy Conference” sob o título elucidativo “As ARTES e a Crise Económica : Uma Oportunidade para o Terceiro Sector ?”.
Organizada localmente pelo CIES (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa), é de acesso público mas inscrição obrigatória (e limitada aos lugares disponíveis).
Esta iniciativa do Center for Civil Society Studies da Johns Hopkins University pretende proporcionar uma aproximação internacional muito abrangente, considerando os desafios que enfrentam as organizações artísticas não lucrativas e procurando oportunidades para as salvaguardar e desenvolver no contexto da crise económica, numa situação em que as instituições privadas também tendem a reduzir os seus programas de apoio.
O contributo para uma sociedade mais justa – dado que o acesso às artes por todos os cidadãos é uma das formas de garantir a equidade social − é dado através das manifestações artísticas, dos programas educativos para as artes, das muitas oportunidades que, em termos económicos as artes hoje propiciam na criação e desenvolvimento de serviços. Ora “como garantir uma presença relevante nos campos referidos, numa situação em que o apoio público às artes têm diminuído de forma evidente é o desafio que se coloca”.
São intervenientes nacionais, entre muitos outros, Jorge Barreto Xavier, João Teixeira Lopes, Augusto Mateus, Guilherme Oliveira Martins e João Serra. Ver programa integral em :
http://www.cultideias.com/uploads/conferencia_artes_crise_economica/fellows_conference_lisboa.pdf
E agora sim, caros leitores, é uma despedida longa até um (eventual) regresso no início da temporada 2012-13. A todos as Boas Férias possíveis !…
Deixo-vos com o excelente e recentíssimo CD duplo que me chegou do registo do trio de Bill Evans live no Art d’Lugoff’s Top of the Gate em Greewich Village, NYC em 23 de Outubro de 1968 :















