O fim desta zona Euro tornou-se visível. Apenas o como e o quando chegará a sua dissolução é o que permanece incerto.
Um texto a partir de um outro, de Fabius Maximus de 6 de Junho de 2012
(continuação)
(2) O que é que resolverá a situação ?
“Não sei se estamos a beira do precipício, mas nós estamos numa situação muito, muito, muito difícil. … O que isso mostra não é a fuga de capital, mas as dificuldades de financiamento dos bancos espanhóis nos mercados monetários. … Os bancos espanhóis estão a ter crescentes dificuldades de acesso aos mercados de dinheiro, principalmente na Europa: nos Estados Unidos os mercados de dinheiro são muito fechados para todos os bancos europeus. “disse o ministro da economia espanhol Luis de Guindos em 31 de maio de 2012, acerca do relatório do FMI em que se mostra que já se deram á Espanha 97 mil milhões de euros no primeiro trimestre (destes, 66 mil milhões foram emprestados em Março). (Bloomberg). O ministro diz uma coisa, o primeiro-ministro diz a mesma coisa ou uma outra diferente mas a realidade diz-nos sempre o contrário do que eles dizem. Sobre a fuga de capitais, ainda recentemente os jornais noticiavam a fuga maciça de capitais de Espanha para algures, Suíça, Alemanha, ou mesmo países fora da zona euro, fuga essa canalizada pelos bancos a operarem em Espanha. Ainda relativamente a Espanha noticiava o Le Monde:
“A Espanha está a fazer com que os investidores estejam a fugir. Cerca de 97 mil milhões de euros de capitais foram retirados do país no primeiro trimestre e destes 66 mil milhões só no mês de Março, de acordo com os dados divulgados na quinta-feira, 31 de Maio, pelo Banco de Espanha.”
Um exemplo, bem elucidativo é-nos dado pela evolução das disponibilidades, responsabilidades dos bancos centrais nacionais para com o BCE e vejamo-las graficamente de Maio de 2011 a Maio de 2012:
Duas notas importantes com este gráfico. A primeira, parece-nos claro o refúgio que assumiu a Alemanha durante a tempestade financeira criada no princípio de Agosto de 2011 com os capitais a fugiram para um porto de abrigo, a Alemanha. Países como Portugal, como a Espanha, como a Grécia, como a Itália têm estado sobre a pressão constante dos mercados de capitais, em que desde há vários meses se tem difundido o medo de que a zona euro pode rebentar de um momento para o outro e que podemos ir dormir a pensar que temos as nossas poupanças em euros mas que de um dia para o outro podemos acordar com as nossas economias expressas em escudos, em pesetas, em dracmas, em liras. Os nosso gestores de contas de poucos cêntimos dizem aos nosso pequenos aforradores, sejam eles médicos, professores, arquitectos, pequenos comerciantes ou outros, que sendo verdade que os seus depósitos são garantidos contra a falência dos bancos não será verdade que os seus activos estejam protegidos contra o risco cambial, de divisas que não existem mas que podem ser criadas da noite para o dia! Andamos há meses e meses assim, a lembrar exactamente o caso da Argentina e com isso são as economias fragilizadas que ficam ainda mais fragilizadas, com a sangria de capitais. Com essa sangria, dado adicional, são as instituições financeiras do país que perdem liquidez, quando elas já pelos fenómenos anteriormente indicados se debatem exactamente com problemas de liquidez. Acelera-se a pressão sobre as instituições financeiras, acelera-se depois a pressão sobre os Estados e pelas ligações já antes referenciadas acelera-se a cavalgada wagneriana para o abismo, para a debacle final, a menos que a meio do caminho já percorrido haja forças políticas e populares monumentais que consigam não só travar essa cavalgada como inverter o sentido da sua marcha. Hoje parece não haver dúvidas de que já houve uma corrida aos bancos na Grécia, de que está a haver uma caminhada aos bancos em Espanha e em Portugal a caminharem para a Alemanha ou para outras zonas relativamente mais abrigadas, os países que na zona euro têm estado ao abrigo da crise da dívida pública. Ignorando por agora a aquisição de títulos da dívida alemã, temos aqui um fenómeno curioso. Os depósitos fogem dos países ditos agora periféricos, fogem para o centro, para os bancos privados destes países que os colocam junto dos bancos centrais nacionais. Estes por seu lado colocam-nos junto do BCE que por seu lado os empresta aos bancos centrais da periferia. Aparentemente nada dizer excepto que há por aqui um vasto terreno a ser minado. Os capitais ao fugirem de Portugal, Espanha ou Itália, ficam ao abrigo dos bancos alemães que desse ponto de vista estão duplamente garantidos, garantidos da falência dos bancos, garantidos do risco cambial, pois que se ruptura da zona euro vier a existir, a nova moeda em que venha a ser transpostos, convertidos, , novos marco por exemplo, não serão desvalorizado mas antes valorizado face à moeda nacional do país de origem que a ser criada será imediatamente desvalorizada. Sendo verdade este quadro, não há bela sem senão, pois neste caso é o Bundesbank que está a funcionar de refinanciador em última instância do próprio BCE e em último caso é o Bundesbank que fica a arder em caso de incumprimento. É assim que se compreende a exigência da União Europeia, do BCE, de que se podem admitir todos os esforços possíveis aos povos europeus para pagarem a crise mas nunca aos bancos que sofram os efeitos das suas próprias políticas, porque em caso de incumprimento quer dos Estados quer dos Bancos quem poderá, em última instância, vir a apagar é o Bundesbank, é a Alemanha! É assim que se compreendem todos os jogos de chantagem que foram feitos sobre a Irlanda, sobre a Islândia, etc.
(continua)

