ANDORINHAS – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sou tipógrafo, trabalho numa gráfica nos arredores de Loures.  No exterior, nos beirais, há quatro ninhos que as andorinhas fizeram. Mas elas partiram nos finais do Outono passado, talvez para Marrocos. A minha esperança era que elas voltassem a meio da Primavera. E voltaram, porém esbarraram e estão e esbarrar num imprevisto: Abel. o meu patrão, para ganhar uma nova saleta, frente a uma parte da fachada levantou uma nova parede que, lá no alto, é só de vidros para receber a luz do sol. E as coitadas das andorinhas, em busca dos ninhos onde nasceram, é ali que vão marrar. Perco a tola. Reparo que ninguém está a ver e acerto pedrada numa das vidraças. É assim que as andorinhas recuperam os ninhos. Abel berra, pergunta: – Quem foi que atirou a pedrada? Minto, tábua de salvação: – Foram uns miúdos, penalizados com o sofrimento das andorinhas. – Vou já mandar pôr outro vidro. – Não faça isso porque os miúdos vão dizer que anda a perseguir as andorinhas. Aqui o meio é muito pequeno, não é bom cair na antipatia do povo. Até sugiro que tire um outro vidro, passará a ser o benfeitor das andorinhas… Concorda. Fico feliz.

 

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