Traz-me aquela flor – Adão Cruz

 

 

 

Adão Cruz  Traz‑me aquela flor

 

 

 

 

(Adão Cruz) 

 

 

Traz‑me aquela flor do fim da tarde subindo as escadas até
mim traz‑me a rosa a glicínia o girassol para que eu me iluda
e me engane traz‑me o alecrim e a alfazema deixa que pense
que é assim que se faz um poema

Traz‑me aquela flor do fim da tarde entre alecrim e alfazema
traz‑me as duas almas de um dilema para que eu abrace a
ilusão de poder criar um poema

Traz‑me aquela flor do fim da tarde subindo as escadas até
mim traz‑me a rosa a glicínia o girassol para que eu me iluda
e me engane

Traz‑me um cravo vermelho a chorar traz‑me o alecrim
e a alfazema um regato de sol e luar e deixa‑me aprender
sozinho como se faz um poema

Traz‑me aquela flor do fim da tarde entre alecrim e alfazema
traz‑me as duas almas de um dilema para que eu abrace a
ilusão de fazer de mim um poema

 

(in Adão Cruz, Vai o Rio no Estuário – poemas de braços abertos, ediçõesengenho)

 

 

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