
Na próxima sessão, um «filme de guerra»diferente dos que temos apresentado – Mourir à Madrid, de Frédèric Rossif.
A música de Maurice Jarre, triste e impressiva, acentua o carácter dramático da narrativa que nos fala de uma Espanha, em 1931, com 24 milhões de habitantes, tem 50% de analfabetos e oito milhões de pobres. Dois milhões de camponeses sem terra, enquanto que vinte mil proprietários são donos de metade da área de Espanha e províncias inteiras são propriedades de um só homem. Mostrando igrejas e mosteiros, a narrativa fala de um país clerical e militarizado, com 31 mil padres, sessenta mil religiosos, cinco mil conventos, 15 mil oficiais, sendo oitocentos generais. Um oficial para seis homens, um general para cem soldados. Um rei – Afonso XIII…
Em 12 de abril de 1931, os candidatos monárquicos são derrotados nas eleições municipais. O rei exila-se. É a República!. O povo descobre que nela tem direito à palavra.
Mas, apesar dos discursos, os camponeses continuam sem a terra e os operários sem trabalho.
Espanha transforma-se num caldeirão incandescente – os monárquicos querem derrubar a República, os catalães querem a independência, os anarquistas querem que não haja Estado, os camponeses enfrentam a Guardia Civil. À direita, José Antonio Primo de Rivera funda a Falange. A esquerda organiza-se…
Em Outubro de 1934 é a sublevação das Astúrias. Os mineiros controlam, há 15 dias,
Oviedo e Gijon. A repressão é rápida: 1.500 mortos, três mil feridos e cinquenta mil operários prisioneiros. Na repressão destaca-se um general: Francisco Franco. E neste trágico retábulo temos a introdução a Mourir à Madrid. O drama vai ser servido.
MOURIR À MADRID, o filme de Frédéric Rossif, na próxima sessão de “Vamos ao Cinema”.
