Todos os dias temos notícias da guerra na Síria. Dizem-nos que ali há um ditador a esmagar o povo. Contudo, parece os chamados rebeldes têm grande capacidade militar e são tudo menos indefesos. Fala-se em muitos mortos, mas parece que o maior banho de sangue ainda está para vir. Entretanto a Líbia realizou eleições, o Egipto também, mas ambos os países continuam mergulhados em situações muito confusas. Na Líbia perceb-se que a intervenção estrangeira contribuiu decisivamente para o afastamento e massacre de Kadhafi e dos seus aliados, e as eleições agora efectuadas destinaram-se sobretudo a impressionar a opinião pública estrangeira. No Egipto o conflito entre militares e islamitas está a abafar a emergência de forças políticas progressistas interessadas em conduzir o país para caminhos que realmente interessem à sua população. Noutros países do Próximo e do Médio Oriente continuam a existir problemas que parecem cada vez mais longe da sua resolução.
Mas o problema mais gritante da região tem andado ultimamente longe das grandes parangonas. Obviamente que as grandes potências (as habituais) e Israel não estão interessadas em que a situação do povo palestiniano tenha um acompanhamento intensivo por parte da comunicação social internacional. São do conhecimento geral, apesar de tudo, os condicionamentos à informação no sentido de fazer passar a mensagem que na Palestina está a ocorrer um confronto entre um lado de pessoas civilizadas, com excelente capacidade, que até têm direitos históricos milenares, baseados em livros sagrados, sobre a terra prometida, e um outro lado, formado por tipos poucos civilizados, com propensão para a desordem e para o terrorismo, e sobre os quais, quando aparece alguém a dizer que os antepassados destes é que têm vivido ali naquela terra, arrisca-se logo a ser acusado também de terrorista.
Faz parte dos princípios mais elementares da solidariedade e da humanidade recordar que nas cadeias israelitas estão milhares de palestinianos, acusados de uma data de crimes, mas que a verdadeira razão da sua detenção é resistirem ao esmagamento do seu povo e à sua expulsão do território. Entre eles há um, Marwan Barghouti, que está detido há dez anos, e há meses que está na solitária, por ter conseguido fazer passar uma mensagem para o exterior encorajando os seus irmãos à resistência. É particularmente visado por ser apontado como um forte candidato à liderança palestiniana. Já houve quem o designasse como o Nelson Mandela palestiniano. Vejam http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=541503&tm=7&layout=121&visual=49, e também http://www.counterpunch.org/2012/04/05/what-marwan-barghouti-really-means-to-palestinians/.
Como estará hoje Marwan Barghouti? Diário de Bordo julga ser importante ter notícias sobre ele, e que haja quem reclame pelos seus direitos. Nelson Mandela comemorou há dias 94 anos. Também gostará com certeza de saber notícias, ele que esteve tantos anos preso, e ainda não há muito tempo era classificado como terrorista pelos EUA. Esperemos que hoje já não o esteja.
Vejam um pequeno filme que mostra Barghouti. Obrigado ao Guardian.


