Diário de bordo de 22 de Julho de 2012

 

 

 

Na sexta-feira, dia 20 morreu, com 88 anos, Helena Cidade Moura.

 

Filha do Professor Hernâni Cidade, pertencia a uma geração de intelectuais formados no curso de Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, gente que desempenhou papel relevante na cultura portuguesa – Luís Lindley Cintra, Maria de Lourdes Belchior, David Mourão-Ferreira…  Para além da sua luta persistente em prol da democracia política – foi destacada militante antifascista antes do 25 de Abril e, depois, como dirigente do MDP/CDE e deputada à Assembleia da República na I, II e III legislaturas, desenvolveu uma valiosa actividade no combate ao analfabetismo e à iliteracia, sendo a dinamizadora da  maior campanha de alfabetização organizada em Portugal no pós 25 de Abril de 1974. Publicou em 1979 o “Manual de Alfabetização”, que abriu caminho ao interesse da sociedade civil para acções de alfabetização junto das populações. No campo da literatura, foi uma estudiosa da obra de Eça de Queirós.

 

Realizou e acompanhou centenas cursos de alfabetização por todo o país, segundo o método de Paulo Freire, de quem era amiga. Numa entrevista. ao ser-lhe perguntado qual fora, na sua opinião, o maior ensinamento de Paulo Freire, respondeu: «A alegria e a persistência. Ele tinha uma alegria imensa de trabalhar e era persistente, persistente, ia contra tudo e contra todos, determinado pelos seus objectivos. Uma pessoa muito inteligente mas muito altruísta. Colocava sempre a sua inteligência ao serviço de qualquer coisa, não era um sábio, era a inteligência em acção, uma pessoa sensacional». Estas palavras de Helena Cidade Moura descrevendo Paulo Freire, serviriam para a descrever a ela.

 

A inteligência em acção, uma síntese perfeita do que foi Helena Cidade Moura.

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