EM COMBATE – 129 – ´por José Brandão

Companhia de Cavalaria 3420

 

 

GUINÉ
1971-1973

 

 

 

A Companhia de Cavalaria 3420, formada em Santa Margarida, passou a existir em 7 de Junho de 1971. No dia seguinte foi entregue o guião da Companhia pelo coronel de infantaria “Maçanita”, comandante do Campo Militar de Santa Margarida. Neste mesmo dia receberam também os respectivos guiões o Batalhão de Cavalaria 3845 que seguiu, também, para a Guiné e a Companhia de Cavalaria 3377 que seguiu para Angola.

No dia 9 de Junho, pelas 02H00, o Batalhão e Companhias, seguiram por caminho-de-ferro para Lisboa, tendo a CCav 3420 como destino, o Regimento de Cavalaria 7 onde ficou a aguardar embarque.

Em 4 de Julho pelas 11H00 a 3420 embarca no navio “Angra do Heroísmo”, tendo chegado à Guiné pelas 16H00 do dia 9 de Junho de 1971 e desembarcado apenas no dia seguinte com destino ao Cumeré.

No dia 12 teve inicio a I.A.O. a instrução decorreu na zona de Cumeré, Fanhe, Rossum e Chugué e terminou a 6 de Agosto, altura em que começa a contar o tempo de comissão.

No dia 21 de Julho realizou-se no Cumeré o dia da Cavalaria, estando presente nas cerimónias o general Spínola.
A zona de acção entregue à CCav 3420 foi a zona de Bula.

Zona plana, com vegetação aberta, com excepção das zonas de Ponta Matar, Choquemone e Bissauzinho, onde a vegetação é do tipo savana.

Os limites são: a norte o rio Cacheu e Armada, a sul o rio Mansôa, a este Inhamate e a oeste Có.

Os aglomerados populacionais da zona são: Binar, Bissum, Inhamate (Manga, Changué e Unche) Bula (Capunga, Pete, Ponta Consolação, Augusto Barros, João Landim e Mato Dingal).

As principais etnias são: Mancanhos e Balantas.

 

Missão da Companhia de Cavalaria 3420:

1. Garantir a segurança à construção da estrada Bula/Binar
2. Expulsar o IN das zonas de Ponta Matar, Dungor, Quijema, Jundum, Infaíde e Insumeté
3. Garantir a segurança afastada a Bissau, impedido que o IN ocupe as Penínsulas de Ponta Augusto Barros, João Landim, Ponta Consolação, Pache, Unche e Manga (donde é possível atacar Bissau com foguetão)
4. Executar alguns reordenamentos, beneficiando populações que se encontram isoladas, transferindo-as para zonas populacionais
5. Assegurar a defesa das populações e evitar acções terroristas
6. Garantir o funcionamento dos postos escolares militares
7. Impedir ao IN o acesso ao chão Manjaco (Teixeira Pinto), impedindo a sua passagem, a partir de Bissum sobre as cambanças do Rio Armada, Rio Inquida e rio Bipo e, a partir de Bula ao longo da transversal Ponta S. Vicente/Bula/João Landim, sobre as cambanças do Rio Bipo e Rio Ponate e, na região de Ponta Matar, Uasse, Blom e Polaco
8. Implantar campos de minas a fim de limitar a capacidade de manobra do IN
9. Proceder ao recenseamento das populações e controlar os seus movimentos, evitando assim acções terroristas em especial em Bula.

 

IN (inimigo)

 

Na zona de Bula encontra-se instalado mais ou menos em permanência em duas zonas: Choquemone e Ponta Matar e, o seu efectivo é em cada uma delas de cerca de 60 homens.
Em cada grupo existe em geral:

– 1 morteiro 60;
– lança granadas RPG-2 e RPG-7
– todos os elementos armados de espingardas automáticas Kalashnikov.
As flagelações a Bula são dirigidas em geral do Choquemone onde o IN também dispõe de foguetão 122 e morteiro 82.

Em Ponta Matar o IN é chefiado por Tonga Iala.

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