Texto para uma bênção a esta Europa já às portas da morte – XII

Por Júlio Marques Mota

 

O fim desta zona Euro tornou-se visível. Apenas o como e o quando chegará a sua dissolução é o que permanece incerto.

 

Um texto a partir de um outro, de  Fabius Maximus de   6 de Junho de 2012 

 

(continuação)

 

2. E quanto à acção  mágica  do Banco Central?

 

 

  

Estamos aqui de acordo com Edward Hugh quando este   nos diz que é difícil dizer que a Alemanha terá passado uns maus tempos devido à criação da zona euro. Quem é que estaria a comparar os produtos alemães que constituem os seus brutais excedentes comerciais? Veja-se o gráfico seguinte: 


 

 


Ora o poder alemão curiosamente assenta nos seus excedentes e estes deram-se  exactamente com a zona euro, a partir de 2001. É  o que nos mostra sem qualquer ambiguidade as estatísticas do FMI. Nada disto tem a ver com o que nos diz o referido especialista que se poderia claramente juntar a Jens Weidmann e a outros neoliberais puros e puros sonhadores de uma nova moeda para a Alemanha, um marco imperial, até a querê-lo fortemente sobreavaliado, a ganharem pelo espólio de uma Europa destruída por esta política. Como o assinala o Forum Démocratique (forumdemocratique.fr/), sobretudo “os alemães temem que a explosão do euro em catástrofe não lhes permita recuperar nada mesmo dos seus créditos, o que poderiam evitar, pelo menos parcialmente,  com um desmantelamento ordenado do euro”.  Por esta via, estariam a querer também  reduzir  a perda de liquidez enorme que correm também eles o risco de perder, nome de quererem  salvar o modelo ultraneoliberal puro e duro que  têm andado a conceber. E é, de resto, nesse sentido que entendo o subjacente ao apelo de Dusseldorf, onde até já se expressam valores para as novas moedas nacionais face ao velho Euro e em que 100 euros passariam a ter o valor de 90 novos marcos ou de 200 Novos Dracmas, ou de 100 francos franceses.  Mas se assim fosse, como estes senhores nos dizem, onde estariam os seus excedentes, que lhe dão o poder que ela tem na verdade hoje? Ao que parece o que Dumas tem como objectivo é exactamente romper a noção de solidariedade mínima entre as nações e sobretudo a solidariedade que deve ser imperativa numa União monetária. Mas é bom saber o que pensam estes senhores. Mas também se enganariam aqui, porque no contexto desta globalização a Alemanha sozinha Império é que já não seria, uma outra grande potência e a querer substituir até a Europa é que possível já não seria. Lembro-me aqui de Bismarck quando afirmava que de entre as três grandes potências, a Alemanha  seria uma das duas,  mas agora e na lógica das aspirações do sonho de Bismarck e nesta mesma  sequência a Alemanha não seria nenhuma das duas, seria exactamente a terceira, a excluída como grande potência, para utilizar a frase de Bismarck… A razão é simples. A Alemanha passaria a ser, isso sim,  uma potência média e aí perderia o lugar ao Sol que senhores como estes lhes quereriam destinar, pois seria também ela dominada e nada menos que isso, porque a globalização na sua configuração actual reduziu a quase zero a importância das potências médias como o é a Alemanha

 

A saída da crise na zona euro só pode viabilizada a partir do plano político, no eliminar da actividade dos guardas da noite deste Hotel, desta nossa casa, a  Europa, deste local de luxo e de pesadelo também, no refazer do programa de quem lá está a viver e criar condições para que ninguém daqui queira sair. As chaves do inferno ou alternativamente  as da harmonia na Terra? A morte da Europa ou uma Europa mais forte, não subjugada ao modelo neoliberal puro e duro? Com posições como as que abaixo colocamos, claramente não estamos, enquanto Europa, com um pé para a cova, estamos já a cair dentro na cova:


 

 

 

Mas sempre ouvi dizer que mesmo com um pé para a cova ainda temos a outra perna para desse enterro fugir. Façamo-lo então. A  decisão é política, é nas urnas, é varrer e condenar politicamente pelas urnas todos os responsáveis pela crise, da mesma forma que a sociedade condena todos os defensores do negacionismo do holocausto, é considerar o crime de hoje tão hediondo politicamente como o foi o que as políticas de austeridade tornaram e criaram  como possível nos anos 30. A decisão é nossa, o trabalho político está à nossa frente, é fazê-lo, a escolha está ao nosso alcance. E hoje claramente a “escolha” é imperativamente só uma. Escolhamos, portanto.  


Coimbra, 25 de Junho de 2012.

 

 

Referências bibliográficas.


Principais sites utilizados:

Zerohedge, localizado em: zerohedge.blogspot.com/

Econonitor localizado em: www.economonitor.com

Fabius Maximus localizado  em fabiusmaximus.wordpress.com/ –

Forum Démocratique, localizado em: forumdemocratique.fr/

Naked capitalism localizado em: www.nakedcapitalism.com/

Edward Hugh localizado em: allaboutedwardhugh.blogspot.com/

Câmara dos Lordes, localizado em: www.publications.parliament.uk/.

Os gráficos foram obtidos no site soberlook.com/

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