EM COMBATE – 132- ´por José Brandão

 

Às 5h30 de 19 de Maio, a testa da coluna alcançou itinerário que apoiava a base de Kumbamory. Na Companhia do capitão António Ramos estava integrado um Grupo Especial do Centro de Operações Especiais (25 homens), especialistas em demolições e neste agrupamento estava integrado o Major Almeida Bruno. A 19 de Maio, o Batalhão de Comandos Africanos entra em território senegalês às 6 horas. Entretanto a Artilharia de Bigene desencadeou vários disparos sobre a área onde era suposto existir a Base IN.

 

Às 7H30 os agrupamentos estavam dispostos na Base de ataque escolhida, a sul da povoação Senegalesa de Kumbamory. Foi necessário cortar a estrada paralela à fronteira e reter o comandante senegalês dos páraquedistas, que ali chegara em missão de reconhecimento de fronteira. Travou-se com ele uma conversa cordial, chegando o mesmo a afirmar que a Base do PAIGC se situava em território português. Às 8h20, iniciou-se o ataque aéreo com aviões Fiat G-91 que efectuou um pesado bombardeamento, a que se se seguiu o assalto à área onde se presumia que estivesse a Base do IN. Às 9h05 o Agrupamento BOMBOX executa o assalto inicial provocando o primeiro contacto com o PAIGC.

 

O factor sorte foi decisivo. Os 2 agrupamentos que cercaram em 1.º Escalão, detectaram de imediato uma série de depósitos de material de guerra, enquanto o 3.º Agrupamento teve violento combate com um forte grupo inimigo apoiado por Canhões sem Recuo e Metralhadoras Pesadas que defendiam o depósito principal, o dos Foguetes 120 mm. A confusão gerou-se já que se enfrentavam adversários da mesma cor, trajando de igual e com armas iguais. Os combates desenrolam-se até 14h10, quando o Major Almeida Bruno dá ordem para o agrupamento CENTAURO apoiar uma ruptura de contacto entre as NT e as Forças do PAIGC. Este agrupamento comandado pelo capitão ao Raul Folques (foi ferido gravemente) estava praticamente sem munições. Assim, foi dada ordem de continuação da acção em direcção a Guidage.

 

O movimento foi lento e com várias emboscadas pelo meio. Por volta do dia 20 de Maio estavam cercadas em Guidage as seguintes sub-unidades: Companhia de Guidage, a Companhia que escoltou o último reabastecimento de Bissa, uma Companhia de Farim (que teve de abandonar as viaturas que posteriormente foram bombardeadas e destruídas pela força aérea quando o inimigo as descarregava), uma Companhia de Paraquedistas, o Destacamento de Fuzileiros e o efectivo de cerca de uma Companhia de Comandos Africanos que tinha actuado no Senegal. A 22 de Maio a Companhia de Cavalaria 3420 tem a sua comissão terminada. A 23 de Maio, com a sua comissão terminada, a CCav 3420 às 6 da manhã inicia a travessia do rio Mansoa em João Landim. Ás 8h30 está no Comando de Bissau onde recebe de novo material de combate.

 

Quartel de Jumbembém, em Guidage

 

A missão dada é uma operação de 6 dias e teria como destino a zona de Guidage, já que os ataques a este aquartelamento passaram de 50 em Abril para 167 em Maio. A 25 de Maio a Companhia segue para Farim e a 26 de Maio para Binta com vista a juntamente com 38.ª Companhia de Comandos, uma Companhia de Africanos e uma Companhia do Batalhão CCaç 4512 de Farim abrir o cerco a Guidage, ao mesmo tempo que os sitiados tentavam também abrir caminho para Binta. A ida da CCAV 3420 para a zona mais crítica da Guiné ficou a dever-se ao facto de ter ao longo de toda a comissão um bom comportamento em combate. Estando o itinerário Binta/Guidage bastante minado em Bissau, dão ordem para que a companhia leve quase uma tonelada de explosivos para fazer rebentar as minas montadas entre Binta e Guidage. Para não entrar em conflito com o comando de Bissau, Salgueiro Maia apenas decide levar cerca 100Kg, que nunca chegaram a ser utilizados. Para garantir o transporte do pessoal com o mínimo de segurança, em Farim, a Companhia teve de “roubar” uma Berliet à Companhia de transportes de Bissau.

 

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